CRIATIVIDADE ][ Noronha Pescados desafia tarifaço de Trump com estratégia de produção nos EUA
Data de Publicação: 6 de agosto de 2025 18:51:00 Enquanto o setor de pescado brasileiro se angustia com o tarifaço de Donald Trump, a Noronha Pescados inova: Vai processar peixe em fábricas terceirizadas nos EUA, contornando tarifas e mirando crescimento global com a nova marca.
Por Antônio Oliveira
Em meio a um cenário de grande preocupação e angústia no setor de pescado brasileiro, causado pelo recente tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a empresa pernambucana Noronha Pescados surge como um exemplo de resiliência e inovação. Diferentemente de grande parte do mercado, que vê seu futuro incerto, a Noronha mantém a tranquilidade e seu plano de consolidar a presença no mercado norte-americano, agora por meio de fábricas terceirizadas localizadas nos próprios Estados Unidos, responsáveis pelo processamento de seus peixes empanados.
Guilherme Blanke, CEO da Noronha Pescados, revelou ao portal Exame que a estratégia da empresa é permanecer firme.
- Em vez de processar o peixe no Brasil e exportar, vamos levar a matéria-prima direto para os Estados Unidos, onde o peixe será processado e distribuído. Vamos contornar as tarifas e ganhar eficiência logística - explicou Blanke, destacando a agilidade e a inteligência por trás da decisão.
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| Guilherme Blanke, CEO da Noronha Pescados (Foto: Noronha Pescados) |
A ousada decisão da empresa pernambucana contrasta com a preocupação generalizada do setor, expressa, por exemplo, em nota oficial da Abipesca (Associação Brasileira da Indústria da Pesca), que manifestou "profunda preocupação" com a nova tarifa. A entidade ressaltou que os Estados Unidos são o destino de 70% das exportações brasileiras de pescado, um volume que totalizou US$ 244 milhões.
Em março deste ano, a Noronha já havia dado um passo significativo ao participar da Seafood Expo North America, em Boston, onde apresentou sua nova marca internacional: Popeye Seafood, uma marca licenciada do famoso personagem. A recepção foi tão positiva por grandes redes como Sam’s Club e Walmart que, segundo Blanke, a demanda "esgotaria toda a capacidade ociosa da planta brasileira".
Para atender a essa demanda e contornar as barreiras tarifárias, a companhia decidiu iniciar a produção em fábricas terceirizadas em Massachusetts ou na Geórgia, nos EUA, estados onde Blanke já visitou seis unidades. A operação está prevista para começar ainda este ano, com um volume inicial de 1.000 toneladas mensais, com expectativa de escalar para 10.000 toneladas por mês em até cinco anos. Ainda para a Exame, Blanke enfatiza a consolidação do modelo de terceirização e a agilidade que ele proporciona para o crescimento. A estratégia também contempla a possibilidade de, em até dois anos, inaugurar uma planta própria de processamento em solo americano.
O abastecimento dessa operação será feito por uma cadeia global de fornecedores. O peixe branco, insumo principal, virá do Alasca, um território americano não sujeito a tarifas. Outros itens, como camarão e salmão, serão adquiridos de países com taxas menores, como Equador e Chile, que são taxados em 10%.
- Temos a flexibilidade de comprar os peixes dos países menos taxados - exemplifica Blanke.
No portfólio internacional, a Noronha Pescados começará com uma linha enxuta de empanados congelados. No entanto, já planeja expandir para o mercado americano com azeite de oliva (sob a marca Olivia Palito), batata frita, pizza congelada e até açaí, dependendo das condições tributárias. Essa diversificação faz parte de um movimento estratégico de longo prazo da empresa.
- Começamos como Noronha Pescados, mas estamos virando Noronha Alimentos. É um movimento de longo prazo para diversificar nossa atuação global - afirmou Blanke.
Enquanto avança no mercado externo, a Noronha Pescados mantém um plano sólido de crescimento no Brasil. A produção nacional atual é de cerca de 1.000 toneladas de matéria-prima por mês, resultando em 600 a 700 toneladas de produto acabado. A aposta na diversificação tem se mostrado bem-sucedida: a tradicional empresa pernambucana, fundada em 1980, encerrou 2024 com um notável crescimento de 20% e uma receita líquida operacional de 232 milhões de reais, garantindo sua participação no ranking "Negócios em Expansão 2025".
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