CURIMATÁ ][ Crescimento sensacional das exportações pode incluir a espécie na pauta de pesquisas e melhoramento genético
Data de Publicação: 23 de junho de 2025 15:04:00 Com um crescimento de 333% no primeiro trimestre de 2025, o curimatá, também conhecido como papa-terra, destaca-se como o segundo peixe da piscicultura mais exportado pelo Brasil, impulsionando o setor aquícola e chamando a atenção de pesquisadores para seu potencial.
Por Antônio Oliveira
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Quem diria que o curimatá, também conhecido como curimbatá, curimba e, no Nordeste, o popular papa-terra — uma espécie até há pouco tempo abundante nos rios e muito apreciada por pescadores e ribeirinhos — um dia seria destaque na pauta de exportação de pescados, superando as vendas do tambaqui, que até então era o peixe nativo mais exportado.
No primeiro trimestre de 2025, as exportações do curimatá cresceram impressionantes 333%, movimentando US$ 580 mil, de acordo com dados do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). Esse desempenho coloca o curimatá entre as espécies nativas brasileiras mais valorizadas no mercado internacional. O setor de piscicultura nacional também vive um momento de expansão histórica, registrando US$ 18,5 milhões em exportações no mesmo período, um aumento de 112% em relação a 2024.
O curimatá é um peixe de água doce, com corpo alongado e prateado, encontrado em grandes bacias hidrográficas como São Francisco, Amazonas, Tocantins-Araguaia e Prata. Sua alimentação, composta por algas, restos vegetais e detritos orgânicos, contribui para a manutenção da qualidade da água e a reciclagem de nutrientes nos rios. No Norte e Nordeste, é muito apreciado cozido ao molho. O ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, destaca que esses fatores têm sido decisivos para o crescimento sustentável do setor aquícola brasileiro.
Para comentar sobre o sucesso do curimatá, o Cerrado Rural Agro convidou Francisco Medeiros, presidente da Associação Brasileira de Piscicultura (PeixeBR). Ele reforçou que, nos primeiros cinco meses de 2025, o curimbatá foi o segundo peixe da piscicultura mais exportado pelo Brasil, ficando atrás apenas da tilápia, com 275 toneladas, das quais 90% foram destinadas ao mercado peruano.
Medeiros ressaltou que, no mercado de peixe de cultivo, o curimbatá é também o peixe mais importado depois do salmão e da panga.
- Essa característica demonstra a oportunidade deste peixe no mercado nacional e internacional, pois sem nenhum apoio governamental, somente iniciativa das empresas consegue esses resultados - afirmou.
Outra característica importante destacada por Medeiros é o baixo custo de produção da espécie, já que ela não consome ração diretamente. Atualmente, o Maranhão é o principal produtor de curimatá, utilizando um sistema de consórcio.
O presidente da PeixeBR ainda informou que, em 2022, a associação lançou a campanha nacional de integração curimbatá-tambaqui, pois acredita que essa iniciativa é uma das melhores oportunidades para melhorar os ganhos da produção de peixes nativos no Brasil.
No campo da pesquisa, o Cerrado Rural Agro também consultou a Embrapa Pesca e Aquicultura para saber se, com crescimento e interesse do mercado externo pela espécie, o curimatá entrará na planilha prioritária de melhoramento de pescados da unidade. A pesquisadora Luciana Shiotsuki é quem explica. Ela explicou que o recente destaque do curimatá (Prochilodus spp.) nas exportações brasileiras representa uma oportunidade estratégica para reavaliar o papel das espécies nativas no fortalecimento da aquicultura nacional.
- A Embrapa compreende esse movimento como um indicativo relevante da valorização da biodiversidade brasileira e, diante disso, passa a considerar com maior ênfase o potencial científico, produtivo e econômico do curimatá no contexto das ações de pesquisa voltadas à sustentabilidade e à competitividade do setor aquícola - disse a pesquisadora.
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Segundo ela, esse cenário é propício para o aprofundamento de estudos sobre a espécie, especialmente em relação à caracterização genética, desempenho zootécnico e adaptabilidade a diferentes sistemas de produção. Shiotsuki pontuou que a eventual inclusão do curimatá em programas institucionais de melhoramento genético será avaliada com base em critérios técnicos e estratégicos, como a demanda do setor produtivo, a relevância para a segurança alimentar, o potencial de agregação de valor e a contribuição para a diversificação da aquicultura brasileira. A disponibilidade de variabilidade genética em estoques manejáveis também será um fator determinante para o delineamento de futuras ações de pesquisa e desenvolvimento.
- A Embrapa permanece comprometida com a geração de soluções tecnológicas voltadas à valorização de espécies promissoras, com base em ciência, inovação e diálogo com os diversos atores das cadeias produtivas. Nesse sentido, a ascensão do curimatá será considerada de forma atenta nas próximas agendas institucionais de pesquisa, desenvolvimento e inovação - concluiu a pesquisadora.
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