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DESINFORMAÇÃO – Tilápia volta a ser alvo da desinformação ou da maldade

DESINFORMAÇÃO – Tilápia volta a ser alvo da desinformação ou da maldade

Data de Publicação: 21 de setembro de 2023 12:46:00 Informação foi publicada em vários sites sem o critério de apuração do fato e de conhecimento de causa. Veículos afirmam que bactéria que contaminou Laura Bahajas é comum em peixe de água salgada e cita a tilápia como responsável pela desventura da americana. Tilápia é de água doce #caso laura bahajas #tilápia #amputação #bactéria #Vibrio vulnificus #peixe com vírus

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Por Antônio Oliveira

Volta e meia, a imprensa brasileira aparece com alguma informação atingindo um ou outro produto da cadeia produtiva de alimentos. O leite longa-vida, o frango industrial, a carne suína e até os ovos nossos de cada dia têm sofrido ataques por meios de informações equivocadas ou maldosas - estas fomentadas pela marginalidade do comércio e da indústria nacional e internacional. Jogos de interesses e de queimação de um produto para fortalecer outro. Ultimamente a pesca e aquicultura tem sido o alvo desse tipo de informação. A Síndrome de Haff, ou “doença de urina preta”, inicialmente atribuída a espécie de peixe marinho olho de boi, passou, pela desinformação e maldade, atribuída a alguns peixes de cultivo e água doce, como o tambaqui e a tilápia. Há cerca de dois anos, as ocorrências de contaminação e as informações fakes causaram enormes prejuízos a pesca e a piscicultura.

Desde o início desta semana, a imprensa brasileira, sobretudo sites, vêm noticiando o caso envolvendo a americana Laura Bahajas, que teve seus membros inferiores e superiores amputados depois de contaminados pela bactéria Vibrio vulnificus. Li a matéria em vários sites que repetem que esta bactéria é comum em águas salgadas (mar) e seus peixes e colocam a tilápia como o peixe contaminado consumido pela norte-americana. Ora, tilápia é um peixe de água doce e, no Brasil, criado em cativeiro sob os mais altos padrões de sanidade. Outro site, que li ontem a noite, fez uma alteração no texto, observando que o Vibrio vulnificus pode estar presente, também, em peixes de água doce, como a tilápia. Quem redigiu esta última versão sabe que tilápia não é de água salgada e a alteração da informação foi por conta dele, possivelmente sabendo do habitat da tilápia. Ou seja, fomentou ainda mais a desinformação.

Fato é que essa desinformação podem causar outro estrago na cadeia produtiva da tilápia, afetando empregos e renda.

Ora bola, há anos a tilápia é uma das principais bases do sushi, alimento oriental com peixe cru. Só agora é que o peixe contaminou um consumidor?

A tilápia é o peixe mais produzido e consumido no Brasil (Foto: divulgação)

 

A Associação Brasileira de Piscicultura (PeixeBR) se manifestou em suas redes sociais. Diz o texto oficial:

“Não é verdade que o consumo de tilápia crua tenha provocado danos irreversíveis nas mãos e nos pés de uma norte-americana – como a imprensa está noticiando.

A bactéria Vibrio Vulnificus é específica do meio ambiente marinho. É o seu habitat natural, bem como de várias espécies marinhas.

A Tilápia é peixe de água doce.

Lamentamos o ocorrido, porém refutamos a responsabilidade para a Tilápia. Definitivamente, a espécie não é causa do problema.

A título de informação adicional, essa bactéria é encontrada em todo o litoral do território continental dos Estados Unidos e não há dados sobre a frequência do patógeno no Brasil, segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo.”

A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (ABIPESCA) também se manifestou por meio de suas redes sociais. Abaixo, a sua defesa da tilápia:

“O caso envolvendo a americana Laura Bahajas, vem trazendo grande repercussão.

A contaminação da americana pela bactéria Vibrio vulnificus, está sendo correlacionada, primeiramente, ao consumo de tilápia, o que ainda não foi oficializado pela autoridade sanitária americana.

É importante destacarmos que esta bactéria é encontrada em água salobra e quente, podendo contaminar o ser humano pela água consumida, por produtos contaminados ou até mesmo pelo contato da água contaminada com ferimentos abertos, sendo uma porta de entrada da bactéria no organismo.

Segundo estudos levantados pelo suporte científico à ABIPESCA, complicações severas dessa espécie de Vibrio são correlacionadas ainda à consumidores que possuem algum tipo de comorbidade.

A produção brasileira de tilápia, utiliza água doce em seu processo de cultivo, com controles rigorosos de qualidade sanitária.

Desta forma, consumir a tilápia brasileira com selo de Inspeção é TOTALMENTE SEGURO.

O Serviço de Inspeção Federal brasileiro, o SIF, possui os maiores controles sanitários do mundo, e é nossa missão como a entidade nacional representante das Indústrias de Pescado, sob SIF, prestar esclarecimentos e informações aos consumidores de pescado.

Tilápia segura é a Tilápia Brasileira com selo SIF.”

A indústria da tilápia

Conforme a Associação Brasileira de Piscicultura (PeixeBR), a produção de peixes nativos e exóticos no Brasil, em 2022, foi de mais de 860 mil toneladas, com destaque para tilápia, responsável por 65% dessa produção. A associação calcula que até 2030 essa produção salte para 80% da produção geral de pescado de cultivo. Atualmente, o Brasil é o quarto maior produtor de tilápias do mundo, perdendo apenas para a China, Indonésia e Egito. Se esse aumento se confirmar, o Brasil subirá para a terceira posição no ranking internacional em sete anos.

Ainda de conformidade com a PeixeBR, em 2022, a piscicultura brasileira gerou receita de cerca de R$ 9 bilhões e gerou cerca de 3 milhões de empregos diretos e indiretos.

Na Embrapa Pesca e Aquicultura (T0), a informação é que as exportações da piscicultura brasileira aumentaram 15% em faturamento em 2022, chegando a U$S 23,8 milhões. Deste total, 23,2 milhões de dólares foram de tilápia.

Puxo a rede:

Não seria estes números motivos para informações distorcidas e maldosas ou carência de ética e apuração de fatos em certos veículos de comunicação?

 

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