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ENSAIO - O que o MATOPIBA tem? Potencial para se tornar no maior produtor brasileiro de pescados

ENSAIO - O que o MATOPIBA tem? Potencial para se tornar no maior produtor brasileiro de pescados

Data de Publicação: 17 de agosto de 2021 15:52:00
Entre carências estruturais e potencial de exploração, a região tem tudo para tornar o Brasil num dos 3 ou 2 maiores produtores mundiais de peixes de cultivo. É sem sombra de dúvidas a nova fronteira aquícola do Brasil. Apenas um estado tem potencial para a produção de 900 mil toneladas/ano.

 

Usina do Estreito, entre Tocantins e Maranhão: Capacidade para quase 130 mil toneladas/ano de peixes (Foto: Divulgação)

 

Por Antônio Oliveira

Quando, no Brasil, se fala em polos de produção de carnes de frango, suínos, pescados de cultivo, leite e seus derivados, logo lembramos de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e, mais recente, a região sudoeste de Goiás na produção de aves e suínos – isto em consequência da abundância de milho, soja e políticas de Estado, e ainda tem muito espaço para ampliação de seu atual parque granjeiro e agroindustrial.

Mas há que se questionar se os estados do Sul e do Sudeste têm para onde expandir suas granjas e projetos de aquicultura. A resposta: alguns estados já esgotaram sua capacidade de produção e outros não demoram muito e ficarão sem espaço, principalmente nesta onda crescente da piscicultura. E qual seria a solução para aquelas mega empresas e cooperativas aumentarem suas produções para atender a demanda nacional e internacional por proteína do peixe? Demandar para o Cerrado da região Centro-Oeste ou do MATOPIBA. E qual destas duas oferecem as melhores condições edafoclimáticas;  abundância de água de qualidade e temperatura ideal; localização estratégica e o desenvolvimento de uma das melhores logísticas multimodal do Brasil? Não resta dúvida que é a região formada pelo Cerrado do Norte e Nordeste do Brasil – Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia -, conhecida institucionalmente como  MATOPIBA, uma região que, ao contrário do que pregam por aí os desinformados, falsos ambientalistas e militantes do extremismo de esquerda, esta união de estados se deu por suas afinidades econômicas, vocação comum para a produção rural e por se constituírem na maior mesa contínua de produção do mundo, não por influência de  latifúndios improdutivos; dizimação do meio ambiente e outras mazelas que aquela gente supracitada apregoam em artigos, discursos, campanhas políticas e em filmes. Há distorções? Há, sim. Mas questões pontuais, não representando o todo.

Abro um parêntese:

Por favor, não me veja como de direita. Não o sou. Muito menos de esquerda. Aliás, não sou militante partidário. Acredito ter pensamento liberal, mais preocupado com o desenvolvimento social e econômico que com picuinhas.

Fecho o parêntese.

Neste ensaio vou discorrer apenas sobre o potencial aquícola - não só das regiões de Cerrado que formam o MATOPIBA -, mas de todos os estados que o integram. É, sem sombra de dúvidas, uma nova fronteira capaz de, em pouco tempo, projetar o Brasil, entre os três ou dois maiores produtores mundiais de peixes de cultivo.

A princípio, os principais números da região.

São 73 milhões de hectares, dos quais 33.929,100 hectares agricultáveis; 324.326 propriedades rurais; 5.901,789 habitantes; 337 municípios e produz 10% da produção nacional de grãos.

Logística

Está em processo de formação na região uma das melhores logísticas multimodais do Brasil. Algumas delas já em funcionamento, como rodovias federais e estaduais, numa grande malha rodoviária, ligando a região a todo o Brasil. A saber: ferrovias Norte-Sul e Leste-Oeste; projeto da Hidrovia Tocantins; aeroporto de carga, em Palmas, e acesso curto aos portos de Itaqui e de Salvador.

Polos

A região conta com vários polos regionais, com destaque para os mais estruturados, nas principais regiões agrícolas. A saber: Balsas (MA), Palmas (TO), Uruçui (PI) e Barreiras (BA). Todos eles interligados as demais regiões do Brasil.

Potencial aquícola

A produção total (peixes de cultivo) da região em 2019, de acordo com levantamentos da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR), foi de 106.790 toneladas, o que representam 14% da produção nacional. A produção de cada estado é a seguinte: Maranhão, 45 mil toneladas. Vale ressaltar que este estado, um dos que mais crescem na piscicultura brasileira, saiu da 10º posição no ranking nacional, para a 6ª posição em 2020; Tocantins, 13.300 toneladas; Piauí, 19.890 e Bahia, 28.600. Vale lembrar que o Maranhão e a Bahia estão entre os 10 maiores produtores do Brasil.

O potencial a ser explorada em cada estado

O Maranhão é um dos estados brasileiros pioneiros no cultivo do panga e a cultura se desenvolve bem (Foto: Governo do Maranhão)

 

Maranhão

Contando com 12 bacias hidrográficas, 60,90% de seu território são banhados por rios; tem clima estável, abundantes reservas hídricas e solos com qualidade que conferem ao estado um extraordinário potencial para o desenvolvimento da pesca e aquicultura.

Predominam no Maranhão os tanques escavados, suspensos e tanques-rede. Atualmente, o grande atrativo do Maranhão é o lago da Usina Hidroelétrica do Estreito, na divisa com o Tocantins, cuja a capacidade, conforme a Agência Nacional de Águas (ANA) é de mais de 129 mil toneladas/ano.

Foi o segundo estado que mais cresceu na piscicultura nos últimos 3 anos. Saiu da 10º posição no ranking nacional, em 2017, quando produziu 26.500 toneladas, para a 6ª posição, em 2018, com produção de 39,050 mil toneladas. Crescimento de 47,4%. Em ascensão, de 2017 para 2018, ele só perdeu para o estado de Alagoas, que saiu de 3.500 toneladas para 8.250 toneladas, crescimento de 135,7%. De 2018 para 2019, o Maranhão registrou um crescimento de 15,2%, ao sair de 30,050 toneladas para 45.000.

Como fatores deste crescimento, podemos destacar, principalmente, as políticas públicas estaduais.

O Maranhão produz espécies nativas como o tambaqui, tambatinga, curimatã, piau e pacu. Exóticos, a tilápia e o panga. Em 2019, o estado produziu 38.511 mil toneladas de nativos, ficando como o 3º maior produtor nacional; 4.019 toneladas de tilápia e 2.470 toneladas de outras espécies, incluindo o panga.

O atual governo do Maranhão tem dispensado especial atenção à piscicultura. Como algumas de suas políticas públicas de incentivo ao setor, destacamos a vinculação da Superintendência de Desenvolvimento da Aquicultura à Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Pesca;  realização do Zoneamento Costeiro, que definiu as áreas propícias para a carcinicultura; Plano Estadual de Desenvolvimento da Carcinicultura;  Plano Estadual de Desenvolvimento Sustentável para Pesca e Aquicultura (que incluiu políticas públicas voltadas para as famílias dos pescadores e aquicultores); ações de assistência técnica e gerencial em parceria com o SENAR, atuando em 18 municípios e beneficiando 200 propriedades no estado; Plano Estadual de Desenvolvimento Sustentável para Pesca e Aquicultura (que incluiu políticas públicas voltadas para as famílias dos pescadores e aquicultores); ações de assistência técnica e gerencial em parceria com o SENAR, atuando em 18 municípios e beneficiando 200 propriedades no estado;  ampliação do prazo de vigência da outorga para uso dos recursos hídricos pelos piscicultores para dez anos; possibilidade de captação de até 80% da vazão de referência de determinado trecho de rio, para concessão de outorga para piscicultura; ampliação de 5.000 para 30.000m³, a captação possível de águas superficiais para abastecimento de projetos agrossilvopastoris, incluindo a piscicultura; inexigibilidade de outorga para projetos de piscicultura abastecidos com águas de chuvas;  incremento do Programa “Mais Pescado”, dentre outras. Recentemente, o Governo do Maranhão zerou o ICMS dos pescados para comercialização, in natura, entre municípios e entre estados.

A rede de apoio à piscicultura no Maranhão é formada por uma fábrica de ração, em Bacabal. Outras plantas estão paradas ou em execução. Quanto ao fornecimento de alevinos e juvenis, tem uma rede muito grande de laboratórios, tendo Santa Rita como polo principal; tem um frigorífico com SIF no Estreito (divisa com o Tocantins), e outro com SIE em São Luis. Há no estado projetos de outros, além de entrepostos em funcionamento.

A logística é composta pelo Porto de Itaqui, ferrovias, rodovias estratégicas. O Porto de Itaqui, entre todos os outros no Brasil,  está mais próximo da Europa e da Ásia.

Os pequenos piscicultores contam com assistência técnica e extensão rural do estado e nas pesquisas e tecnologia a Universidade Federal do Maranhão, com um curso de Engenharia de Pesca; Universidade Estadual do Maranhão e o Instituto Federal com campus em várias regiões do estado.

Tocantins

A aquicultura no Tocantins é praticada em rios, pequenos lagos, lagoas e açudes. O estado tem 57.032 Km² de lâminas d’água, dos quais 27.196,622 estão disponíveis  para a aquicultura, mas apenas 5,4 mil estão em exploração na atualidade.

A maior plataforma de produção de peixes no Tocantins são os lagos de usinas hidroelétricas. São quatro, com capacidade de produção total de 291.358,00 toneladas de peixes/ano. São eles Peixe-Angical (45.241,92 ton); UHE São Salvador  (27.218,33 ton); UHE São Salvador  (27.218,33 ton);  UHE Luis E. Magalhães (89.238,00 ton) e UHE Estreito (129.659,75 ton).

O único lago com parques aquícolas licitados em onerosos e não-onerosos e não ocupados de acordo com sua capacidade e áreas licitadas é o lago da UHE Luís Eduardo Magalhães (Lajeado).

Ele banha 5 municípios, totalizando 170 quilômetros de extensão e 630 Km². Cinco parques aquícolas foram licitados no reservatório, em 2013. São eles: 

Parque Aquícola Miracema/Lajeado: projetado para fins não onerosos. Das 15 áreas licitadas pelo MPA, 14 foram contempladas. Hoje, cerca de 6 piscicultores produzem tambaqui no projeto;

Parque Aquícola Sucupira: projetado para fins não onerosos. Das 209 áreas aquícolas licitadas, 198 foram contempladas, tendo hoje aproximadamente 30 piscicultores produzindo diversas espécies amazônicas e, mais recentemente, tilápia.Parque Aquícola Brejinho I:  projetado para fins não onerosos.  As 13 áreas aquícolas licitadas foram contempladas. Nenhum contemplado está produzindo no parque.

Parque Aquícola Brejinho II: projetado para fins não onerosos. Das 23 áreas licitadas, 22 foram contempladas. Tendo hoje aproximadamente 14 piscicultores produzindo tambaqui e tilápia.

Parque Aquícola Santa Luzia: com quatro  áreas aquícolas licitadas com potencial de produção de 10.000 t/ano. Ocioso, ainda.

O estado conta com mais ou menos 1.000 piscicultores que, em 2019, produziram 13.300 toneladas de peixes.

A capacidade total da produção de peixes no estado é de aproximadamente 900.000t/ano e a movimentação financeira, neste caso, poderia superar os 4,5 bilhões de reais.

Algumas políticas públicas têm alavancado a piscicultura no Tocantins. Aqui, destacamos algumas:

Licenciamento ambiental simplificado para pequenos e médios aquicultores com até cinco hectares de lâmina d’agua, incluindo a outorga de uso da água;

Isenção de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para o aquicultor, como fomento tributário financeiro;

Incentivo fiscal à industrialização da ração para peixes;

Legislação ambiental que permite o cultivo da tilápia em tanques rede nos reservatórios da bacia do Rio Tocantins (Coema/2018).

Tilápia no Tocantins

A tilapicultura em tanques rede no Tocantins ainda é novidade, mas com futuro muito promissor, tanto em produção para corte, quanto no campo do melhoramento genético. Ela teve início, em caráter experimental, em agosto de 2019, no Parque Brejinho II, com 20 mil alevinos para 25 gaiolas de 4x4x4 e primeira despesca em março do ano passado.

O projeto foi uma parceria do Governo do Tocantins, Prefeitura de Brejinho de Nazaré, Embrapa, Aquabel, e duas fábricas de ração.

 

Neste estado se produz o tambaqui, caranha ou piraapitinga, piau,  matrinxã,  cachara, pirarucu, tambatinga, tambacu,  pintado amazônicao ou jundiara e tilápia.

O estado tem 5 frigoríficos, funcionando – um ou dois estão parados provisoriamente; conta com uma fábrica de ração em funcionamento e algumas em projetos.

No quesito rede de apoio, pesquisas e tecnologias, conta com 11 laboratórios de larvas, pós-larvas, alevinos e juvenis. Entre estes laboratórios esta a Aquabel, produzindo alevinos de tilápia.

No campo das pesquisas, é sede, em Palmas, da Embrapa Pesca e Aquicultura (atuação nacional). No melhoramento genético, está em fase de construção o maior laboratório da América do Sul de melhoramento genético da tilápia. É a Genomar/EW Group. Na extensão rural conta com a Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins).

Com todo este potencial, a piscicultura no Tocantins ainda não acordou para o cooperativismo e o associativismo. Muito menos para a melhor organização de sua cadeia produtiva.

Já disse em outros artigos e repito aqui:

“Desorganização, equilíbrio, falta de associativismo/cooperativismo e profissionalismo, ressalvando as raríssimas exceções, são visíveis, principalmente nas gôndolas de supermercados, açougues tradicionais e peixarias: raramente se encontram peixes produzidos no estado e quando encontrados são praticamente in natura, ou seja, inteiro,  fresco, apenas eviscerado – do jeito que a dona de casa não quer, devido ao trabalho para descamar e cortar. Mas essas mesmas gôndolas têm um rodízio muito grande de peixes que vêm de outros estados, em cortes especiais, embalados e congelados com alta rotavidade de vendas e reposição.”

Certa vez, numa reportagem, um gerente de frigorífico disse-me:

“- Atualmente, o peixe pode ser vendido nú (sem rótulo, que o identifique legalmente). E isto, acredito, acaba atrapalhando muito a questão dos preços. Por exemplo: a gente vai vender para o supermercado, o cara pergunta: Quanto o senhor está vendendo? Ah, estou vendendo entre R$ 8,50 e R$ 9,00. ‘Ah, mas tem um produtor aqui da região que me entrega a R$ 8.’ Então, esse cara vai competir comigo e vai derrubar o meu preço e ele não têm fiscalização, não tem um rótulo, como as autoridades sanitárias exigem e que os frigoríficos estabelecidos têm. Então, se outros aderissem a esta identificação do produto, nós teríamos melhores preços e melhor  remuneração ao produtor.”

A Barragem da Boa Esperança tem grande potencial para o cultivo de peixes em tanques-rede (Foto: Governo do Piauí)

 

Piauí

Entre barragens e reservatórios, duas importantes plataformas de produção de peixes de Piauí, são 29, totalizando 22.880 hectares de lâminas d’água. Entre as barragens, destaca-se, com maior potencial, a Boa Esperança, com 352,2 Km² e capacidade de produção de 24 mil toneladas, de uma capacidade total, em todo o estado,de 258 mil toneladas.

A piscicultura no Piauí, estado que também tem destaque na produção nacional de grãos, conta com pouco menos que 2.600  produtores de tambaqui e seus híbridos; 850 de tilápias; 33 de camarão e, menos que isto, produzindo panga.

Em 2019, o estado produziu 19.890 toneladas de peixes de cultivo, 3% a mais que em 2018, das quais 7.544 de tilápia e 9.217 de tambaqui e seus híbridos.

Deste total de produtores, 89% são microprodutores com menos de 5 hectares de lâmina d’água; 44% utilizam mão de obra familiar; 67% tem a piscicultura como principal fonte de renda da sua propriedade; 90% estão na atividade há menos de 10 anos; 97% não têm acesso a crédito bancário; 78% não possuem licenciamento ambiental; 50% não têm subsídio de energia elétrica (nem estadual, nem estadual) e 83% pretendem expandir sua atividade.

Segundo dados do Governo do Piauí, “a produção de peixe cultivado no estado do Piauí foi de 7.700 toneladas no ano de 2017 (IBGE, 2018). Considerando um crescimento médio de 10% ao ano, esta produção poderia chegar a 16.000 toneladas no ano de 2023. Porém, de acordo com a Associação Brasileira de Piscicultura, a piscicultura piauiense foi responsável por produzir 18.000 toneladas em 2017 e pelo mesmo critério (crescimento médio de 10% ao ano), esta produção poderia chegar a 32.000 toneladas no ano de 2023.”

Como forma de fomentar a produção de peixes no estado, o governo do Piauí dispõe dos seguintes dispositivos:

Programa de Regularização Ambiental; Programa Estadual de Assistência Técnica para a Aquicultura; Programa de Geração de Dados e Informações Estatísticas; Programa de Apoio à Infraestrutura Aquícola; Programa de Regularização Sanitária; Programa de Incentivo ao Aumento de Consumo do Pescado; Programa de Apoio à Pesquisa e Inovações Tecnológica; Programa de Apoio e Incentivo à Participação Setorial; Programas de Desenvolvimento para a Aquicultura; Programa de Incentivo a Sistemas Produtivos Inovadores; Programa de Incentivo aos Aquicultores de Recursos Limitados; O programa de incentivo à irrigação e aquicultura.

Desconto no consumo de energia, que pode variar de 90% (até 5 hectares) a 30% (até 100 hectares) dependendo do tamanho da área de cultivo. Sendo este desconto regulamentado pela lei 7.165, de 27 de dezembro de 2018, do Estado do Piauí, e operacionalizado pelo convenio nº 01/2019 SAF/Cepisa.

Piauí tem número razoável de produtores privados de alevinos, desta forma, a quantidade de alevinos ofertados não atende à demanda. Além das empresas privadas, há duas estações de alevinagem governamentais, sendo uma do governo federal (DNOCS) - Estação do Caldeirão - e outra do Governo do Estado (Estação de Nazária). As maiores concentrações desses empreendimentos estão no Território de Entre Rios e Território dos Cocais. Esse fato pode estar ligado ao maior número de piscicultores estarem fixados e produzindo nos citados territórios.

Há dois laboratórios que realizam a compra de pós-larvas e realizam a alevinagem. Vale ressaltar que apesar do grande número de laboratórios existentes no estado, parece ser a AQUABEL que domina o mercado de vendas de alevinos de tilápias, pois em todas as cidades pesquisadas encontramos piscicultores comprando os alevinos desta empresa. 

Mesmo assim, a demanda de algumas espécies não é suprida de forma contínua e de qualidade, o que ocasiona uma importação de alevinos de outros estados da Federação, onerando custos de produção e proporcionando altas mortalidades devido ao transporte.

Há duas fábricas de ração no estado, sendo uma em Teresina e outra em Guadalupe. Quatro frigoríficos procuram atender a demanda dos que optam por esta parceria. Há uma com SIF e três com SIE.

Na área de pesquisa e tecnologia, o estado conta com um curso de Engenharia de Pesca, da Universidade Federal do Piauí, e um curso de Zootecnia com atuação em Aquicultura. Em Parnaíba, está localizada a Embrapa Meio Norte, que possui um grupo de pesquisadores especialistas em Aquicultura. Porém, segundo relatos dos piscicultores, muito poucas ações têm sido realizadas de forma contínua e efetiva.

Há a carência de recursos humanos especializados para fazer frente à atual demanda da piscicultura. No processo de desenvolvimento da cadeia produtiva tal fato tenderá ao agravamento. Essas instituições precisam ser efetivamente apoiadas, pois estão sucateadas e à beira da falência, apesar da grande importância no contexto desenvolvimentista e capacidade de capilarizar na condução da tecnologia, como é o caso da EMATER. O SENAR é uma instituição que também atua aquém de sua capacidade e propósito de contribuição social.  

Logística

As rodovias do Piauí têm boas condições, elas interligam às rodovias dos estados do Ceará, Maranhão, Bahia, Pernambuco e Tocantins. Além de rodovias federais que atravessam o estado de norte a sul (1.400 km) e de leste a oeste (mais de 600 km), uma nova malha rodoviária estadual interliga todos os municípios às principais artérias. O transporte de insumos (ração, alevinos, etc.) e a comercialização do pescado são realizados principalmente por via terrestre.

Centro Vocacional Tecnológico Territorial do Pescado - CVTT, da Bahia Pesca (Foto: Ascom/Bahia Pesca)

 

Bahia

Por fim, o estado da Bahia, cuja piscicultura pode ser dividida em duas realidades: a do lado direito do Rio São Francisco e a do lado esquerdo, o oeste da Bahia, um dos grandes produtores brasileiros de grãos e o segundo maior de algodão

Os baianos contam com 60 bilhões de m³ de águas continentais, existindo atualmente um polo já consolidado que é o território de Itaparica (com uma produção de peixes nos municípios de Paulo Afonso e Glória sendo os destaques no cenário baiano).

Sobradinho e Juazeiro que constituem o Polo de Piscicultura do Submédio e Baixo São Francisco (SBSF) e Polo de tilapicultura tem uma área de  988,3 Km² abrangendo Bahia, Pernambuco e Sergipe. Teve produção estimada, em 2014, de 32.988 ton, com Pernambuco produzindo mais - 16.369 ton.

Estes polos têm como centro econômico e educacional a cidade de Paulo Afonso, onde se encontram instaladas 2 universidades públicas, Instituto Federal e faculdades privadas funcionando na modalidade presencial e a distância (EAD). Cursos de Engenharia de Pesca, Biologia, Administração de Empresas e Direito que formam profissionais que atuam diretamente na cadeia produtiva da tilapicultura, e dos cursos de Medicina, Enfermagem entre outros, além de vários cursos de pós-graduação (lato sensu e stricto sensu).

Em 2019, a Bahia registrou, nos últimos 10 anos,  um crescimento de 150% . Enquanto em 2009 foram produzidas 10 mil toneladas de tilápia, em 2018 a marca ultrapassou as 24 mil toneladas. Um volume de produção que garante ao estado o quinto lugar entre os cinco maiores produtores do país.

Mais de 4 mil produtores desta espécie de peixe atuam no estado.  A maioria está concentrada no Sertão do São Francisco e no curso do Rio Paraguaçu, na região central do estado. O município de Glória, na região de Paulo Afonso, é considerado um dos maiores produtores de tilápia do Brasil. A tilápia já representa 83% da produção da piscicultura baiana.

Oeste da Bahia

A região sempre foi para mim, um capítulo a parte, com uma perspectiva muito grande, embora seja sempre tratada e segundo plano por sucessivos governos baianos – melhorou nos governos do PT (Jaques Wagner e Rui Costa, mas ainda a assistência não atende as principais demandas regionais).

Valioso potencial para produção de pescados, a região possui muitas áreas improdutivas para agricultura, sendo estas possíveis para utilização no cultivo de peixes em viveiros escavados. Possui aproximadamente 200 hectres de lamina d´água em produção. O potencial gira em torno de 1.000 hectares propícios para o desenvolvimento da atividade.

A Bahia Pesca (estatal baiana de fomento ao setor de pesca e aquicultura) estima que a região tenha cerca de 500 produtores e  grande potencial para aumento da produção de pescado cultivado do Estado. Responsável por cerca 15% da produção de pescado na  Bahia, atingindo a marca de 1.955,74 toneladas de pescado em 2018, conforme dados do IBGE.

Conforme a Bahia Pesca, a região produziu 1.955,74 toneladas de pescado em 2018. Deste total, 1.300 toneladas foram produzidas por associações de pequenos piscicultores da região.

Os dados são bastantes controversos e variam de acordo com as fontes de pesquisa. Adotamos principalmente o IBGE e a PEIXE BR, que são entidades que apresentam os resultados mais próximos dos reais.

Os valores de produção têm se mantido constantes com discreto aumento que varia de 5 a 10%.

Os perímetros irrigados (da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba – Codevasf) são responsáveis por 54% da produção do estado da Bahia em viveiros escavados (IBGE 2018).

As principais espécies cultivadas na região são o pintado, surubim; pirarucu; tambacu e tambatinga; tambaqui e tilápia.

Vale lembrar que o oeste da Bahia é polo de agronegócio, comercial, prestação de serviços públicos e privados e universitário de uma região com mais de 1 milhão de habitantes, além de atender a demanda, nestes setores, de parte do sul do Piauí e parte do sudeste do Tocantins.

*Nota do autor: Fontes de pesquisas: governos do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia; Embrapa; Peixe BR; IBGE e acervo da revista Cerrado Rural Agronegócios. Os números apresentandos nem sempre são exatos. São estimativas.

 

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