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ANUÁRIO PEIXE BR 2021 (I) - Nem a pandemia barrou a piscicultura brasileira. Ela cresceu 5,9% no ano passado

ANUÁRIO PEIXE BR 2021 (I) - Nem a pandemia barrou a piscicultura brasileira. Ela cresceu 5,9% no ano passado

Data de Publicação: 22 de fevereiro de 2021 16:46:00
o resultado somente não foi melhor devido à pressão dos custos, especialmente das matérias-primas importantes para composição da ração

Anuário foi lançado nesta segunda-feira, 22

*Por Antônio Oliveira

A piscicultura brasileira foi um dos poucos setores produtivos do Brasil que não sofreram tanto – ou muito -, como consequência da pandemia da Covid-19. Durante o ano de 2020, ela produziu 802.930 toneladas, ante as 758.006 toneladas produzidas em 2019. Um crescimento, de um ano para o outro, de 5.9%. É o que revela o Anuário Peixe BR da Piscicultura, lançado, em auditório virtual, pela Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR), nesta segunda-feira, 22, pela manhã. Estiveram presentes ao webevento, o presidente do Conselho de Administração da Peixe BR, Ricardo Neukischner; o presidente desta instituição, Francisco Medeiros; a chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO), jornalistas de agro de vários estados brasileiros e lideranças governamentais, técnicas e empresariais da piscicultura brasileira.

Em seu pronunciamento de abertura do evento, Ricardo Neukischner, lembrou que o setor foi surpreendido com esses resultados, uma vez que – disse ele -, 2020, devido a pandemia foi um ano “complicado, sem rumo positivo ou negativo”.

- Foi um ano fantástico – apontou o aquicultor do ramo de alevinos e melhoramento genético da tilápia.

Por sua vez, na abertura da reunião virtual, o presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros, classificou 2020 como “um ano com um pouco mais de trabalho, no qual a produção de pescado deveria ter crescido mais”.

Ricardo Neukischner (Foto: Divulgação)

Questionado por este repórter, que também estava presente na reunião, Francisco Medeiros destacou a piscicultura na região do MATOPIBA, especialmente Maranhão e Tocantins. O primeiro pelo crescimento que vem mostrando nos últimos três anos e, em 2020, ultrapassando o estado do Mato Grosso; o segundo por duas ações do atual Governo do Tocantins. Conforme o presidente da Associação, de todos os governadores com os quais a Peixe BR teve conversas, nos últimos anos, no intuito de agilizar a piscicultura no estado, o atual, Mauro Carlesse, foi o que teve a resposta mais rápida.

- Em um ano, ele instituiu novas legislações ambiental e tributária – disse o dirigente.

Brasil caminha para ser o maior produtor mundial

No editorial do Anuário 2021, o presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros, afirmou que num prazo de 20 anos, o Brasil será o maior produtor mundial de peixes de cultivo.

- Não tenho nenhuma dúvida disso. Falo com convicção porque o país tem condições fantásticas para a atividade. Temos água, temos terras, o clima é favorável para diferentes espécies. E há a indiscutível competência dos brasileiros para empreender, superar desafios e construir uma cadeia produtiva cada vez mais pujante e profissional – Medeiros escreveu.

Ainda conforme ele, 2020 foi um ano positivo para perseguir esse objetivo de liderar a produção global de peixes de cultivo e, especialmente, de tilápia.

Francisco Medeiros (Foto: Divulgação)

- O Brasil superou a barreira das 800 mil toneladas e a tilápia já representa 60% da nossa produção, com mais de 486 mil toneladas (crescimento de 12,5% no ano). Esse resultado ganha ainda mais relevância se analisado no contexto da pandemia global. Não foi uma conquista fácil. Destaco e valorizo a participação de todos os elos da cadeia produtiva, incluindo os fornecedores de alevinos, os fabricantes de insumos e equipamentos, os frigoríficos, as empresas de assistência técnica, os profissionais, a pesquisa, as entidades de classe, as instituições ligadas à piscicultura, as autoridades - enfatizou.

Ainda segundo Medeiros, todos, na cadeia produtiva do peixe de cultivo, fizeram sua parte e contribuíram para esse resultado, que ele acha muito positivo em um ano cheio de adversidades.

- Ressalto aqui a profissionalização da piscicultura brasileira. A cada ano, nos tornamos maiores e, especialmente, melhores, com boas práticas, segurança, saúde e bem-estar animal - falou.

A ração, como sempre, impediu que a piscicultura crescesse mais

Já na matéria de abertura do Anuário, a Peixe BR disse considerar os resultados do ano passado “muito bom, embora o ano tem sido dividido em duas fases distintas, com a pandemia acertando a atividade em cheio nas semanas anteriores à Semana Santa, o ‘Natal da piscicultura’”.

- As vendas despencaram e trouxeram muita preocupação para os diversos elos da cadeia produtiva. Foi preciso refazer planos, ajustar custos e redobrar a atenção - assinalou Francisco Medeiros no texto.

A produção do Anuário,  coordenada pela Texto Comunicação Corporativa, escreveu considerar que com o cenário da pandemia mais ajustado, o segundo semestre de 2020 foi o melhor da piscicultura nos últimos anos.

- O consumo interno cresceu com consistência e o setor respondeu com maior oferta. Como resultado, os preços aos produtores ficaram em níveis consistentes e os elos da cadeia puderam não apenas recuperar os prejuízos da primeira parte do ano mas avançar e fechar o balanço no azul.

Ainda conforme  o Anuário Peixe BR, o resultado somente não foi melhor devido à pressão dos custos, especialmente das matérias-primas importantes para composição da ração.

- Em 2020, o dólar saltou cerca de 40%. As indústrias de nutrição animal não conseguiram repassar todas as despesas extras, mas o aquecimento do mercado possibilitou algumas manobras que surtiram resultado - considerou.

A tilápia continua líder em produção e exportação

A tilápia, mais um vez, foi destaque.

Sua produção, em todo o Brasil, cresceu 12,5%, atingindo 486.155 toneladas (contra 432.149 t do ano anterior).

- Com esse excelente desempenho, a espécie consolidou-se ainda mais no cenário nacional. Sua participação na produção total de peixes de cultivo passou para 60.6% (foi de 57% em 2019) - registrou.

Já os peixes nativos, conforme escreveu a produção do Anuário,  continuam representando um segmento muito importante da piscicultura brasileira, não obstante teve sua  participação reduzida.

- A produção de 278.671 t em 2020 foi 3,2% menor que as 287.930 t do ano anterior: foram 9.259 toneladas a menos em um ano. As outras espécies (carpa, truta e pangasius, principalmente) mostraram bom desempenho, com crescimento de 10,9%. Destaque para o pangasius, que ganha espaço na produção, especialmente na região Nordeste – informa o documento.

Gráfico: Texto Comunicação

O ranking nacional e os números do MATOPIBA

Veja, no quadro abaixo,  os dez mais produtores de peixes de cultivo do Brasil. Na região do MATOPIBA, considerada, por seus lagos de usinas hidroelétricas, a mais nova e maior fronteira aquícola do Brasil, o Maranhão continua crescendo na produção de pescados. Saiu da 6ª posição do ranking nacional de produção em 2019, com 36.600 toneladas, para a 5ª posição – ultrapassando Mato Grosso, em 2020, com a produção de 47.700 toneladas.

Tocantins estacionou na 18ª posição. Em 2019, produziu  13.300 toneladas e no ano passado, 14.804 toneladas.

O Piauí, que em 2019, ocupava a 15ª posição, com a produção de 19.890 toneladas, no ano passado produziu 20.250 toneladas. Estacionou, também.

Já a Bahia, que em 2019 produziu 28.600 toneladas, ocupando a 10º posição no cenário nacional, no ano passado produziu 30.270 toneladas, caindo para a 9ª posição.

Nota da Redação: este especial será sequenciado, uma matéria do por dia, resumindo as principais estatísticas levantadas pela Peixe BR.

*Mais informações e fotos  da Texto/Anuário Peixe BR 2021

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