SANIDADE AQUÍCOLA ][ Estudo identifica Salmonella em criações de peixes nativos no Centro-Oeste
Data de Publicação: 24 de março de 2026 11:47:00 A bactéria foi detectada em 88% das propriedades monitoradas em Mato Grosso, evidenciando a necessidade crítica de reforçar protocolos de biossegurança.
Resumo
Pesquisa da Embrapa identifica a presença de Salmonella em criações de peixes nativos no Centro-Oeste. O estudo aponta que, embora o risco ao consumidor seja mitigável via processamento industrial e cozimento correto, o manejo nos viveiros e o contato com animais silvestres são pontos críticos.
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Pesquisadores querem aprofundar conhecimentos
sobre os riscos microbiológicos associados à produção de
peixes cultivados e orientar medidas de prevenção (Foto: Yuri Porto)
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Da Agência Embrapa de Notícias
Estudo realizado em viveiros de peixes nativos no Centro-Oeste brasileiro revelou a presença da bactéria Salmonella spp . em ambientes de produção aquícola da região. Os monitoramentos microbiológicos detectaram o patógeno em 88% das propriedades avaliadas e em 31,5% das amostras coletadas em Mato Grosso, principal polo produtor dessas espécies no País. Os dados alertam para a necessidade de reforçar a vigilância e a biossegurança nos ambientes de criação.
As ações foram coordenadas pela pesquisadora Fabíola Fogaça , da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), e contaram com a participação dos professores da Universidade Federal do Mato Grosso ( UFMT ) Eduardo Figueiredo e Luciana Savay-da-Silva.
Fogaça explica que quando os pontos críticos de contaminação são detectados precocemente, é possível adotar medidas preventivas que
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Os estudos comprovaram que as vísceras
dos peixes apresentaram as maiores
taxas de detecção (Foto: Yuri Porto)
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reduzam os riscos e aumentem a segurança do alimento e a sustentabilidade da produção.
A pesquisa integra uma série de estudos conduzidos por cientistas da Embrapa, universidades e instituições parceiras para compreender os riscos microbiológicos associados à produção de peixes cultivados e orientar medidas de prevenção que garantam a pesca segura e a competitividade do setor aquícola.
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Estudo avaliou pisciculturas em diferentes biomas
O trabalho foi conduzido em viveiros localizados nos biomas Pantanal e Cerrado e abrangeu 184 amostras provenientes de peixes, água dos viveiros, sedimentos, ração e fezes de animais silvestres e domésticos presentes nas áreas de cultivo.
As análises microbiológicas seguiram protocolos internacionais e foram confirmadas por testes moleculares, permitindo identificar a ocorrência de bactérias, os sorotipos circulantes e os perfis de sensibilidade a antimicrobianos. Os resultados dicaram a presença de dez sorotipos diferentes, com predominância dos licenciados São Paulo e Novo Porto, além de níveis moderados de resistência a alguns antibióticos, embora sem detecção de cepas multirresistentes.
Além disso, uma análise estatística indicou que as vísceras dos peixes tiveram as maiores taxas de detecção, e que a ocorrência do patógeno foi mais elevada no período seco, causando influência de fatores ambientais e de manejo na dinâmica da contaminação. Esses resultados permitiram identificar pontos críticos ao longo da fase de produção e fornecer subsídios para o desenvolvimento de protocolos de biossegurança voltados à piscicultura brasileira.
Outro estudo avaliou 55 cepas de Salmonella , isoladas da tambatinga (híbrido de tambaqui) cultivada, e analisou a sua suscetibilidade a antibióticos de uso clínico. Nenhuma das cepas apresentou sorotipos clássicos associados a surtos humanos graves (como Typhi, Enteritidis ou Typhimurium), e todos foram sensíveis aos antibióticos testados, diminuindo o risco de resistência nas condições avaliadas.
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As análises microbiológicas seguiram
protocolos internacionais e foram confirmadas
por testes moleculares (Foto: Yuri Porto)
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A pesquisadora ressalta que o estudo foi restrito à área de produção e não a toda a cadeia produtiva. “Isso não significa que o produto final necessariamente estará contaminado, pois os controles sanitários, o processamento industrial e o abastecimento adequado podem reduzir ou eliminar o risco”, complementa.
Na prática, a contaminação microbiológica do pescado pode ocorrer ainda na fase de produção, nos viveiros, podendo ser significativamente reduzida na indústria. A final do alimento depende também do armazenamento adequado e do preparo correto pela segurança do consumidor, etapas fundamentais para prevenir a contaminação alimentar.
"Segurança que nasce no viveiro e se confirma na mesa: a ciência fortalecendo o pescado brasileiro."
Os fatores que reduzem a contaminação podem ser consideravelmente. Mas uma professora da UFMT aponta que o fato dos viveiros serem de fácil acesso para pássaros, animais silvestres (jacarés, capivaras, entre outros), animais de criação (aves, suínos, caprinos, bovinos) e também animais domésticos (cachorro, gatos) propiciam o contágio do solo e da água dos tanques de criação, tornando a contaminação dos peixes praticamente inevitável.
Outro ponto a ser levado em consideração é o atual fluxo de processamento desses peixes nos frigoríficos, onde a etapa é a lavagem com água hiperclorada, seguida pela retirada das vísceras e guelras. “Estudos em laboratório e também em escala piloto já descobriram que seria mais eficiente invertermos essas etapas, sendo interessante primeiro a retirada das vísceras e guelras, ainda em uma área suja, e depois a lavagem hiperclorada”, esclarece Savay-da-Silva.
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Foto: Embrapa
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Como evitar contaminação ao consumir pescado
Mesmo que o pescado tenha sido exposto a microrganismos durante a produção, cuidados simples na cozinha reduzem o risco de contaminação alimentar praticamente a zero:
- Mantenha o pescado refrigerado (até 4 °C) ou congelado.
- Evite deixar o produto fora da geladeira por longos períodos.
Evite contaminação cruzada
- Separe o peixe cru dos alimentos prontos para consumo.
- Utilize facas, tábuas e utensílios diferentes para alimentos crus e cozidos.
- Lave bem as mãos, utensílios e superfícies após manipular o pescado cru.
Cozimento seguro
- Cozinhe completamente o pescado (temperatura interna acima de 70 °C).
- Evite consumir peixe cru ou mal cozido sem um selo de inspeção sanitária.
Higiene na cozinha
- Descarte os líquidos da embalagem e higienize a pia após o preparo.
- Prefira sempre produtos de origem funcionando.
Continuidade das pesquisas e abordagem Saúde Única
Os pesquisadores destacam que a presença de diferentes sorotipos com relevância epidemiológica reforça a necessidade de programas integrados de vigilância baseados no conceito de Saúde Única, que considerem a interdependência entre a saúde animal, humana e ambiental.
Os próximos passos incluem ampliar o monitoramento para outras regiões de produtos, investigar fatores de risco específicos associados aos sistemas produtivos e desenvolver protocolos de boas práticas que podem ser adotados diretamente pelos viveiros. “Nosso objetivo é transformar os resultados científicos em orientações práticas para o setor produtivo, contribuindo para alimentos mais seguros e para a competitividade da aquicultura brasileira”, enfatiza Fogaça.
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As espécies nativas tambaqui (foto acima), tambatinga, pacu e pirarucu
formam o segundo maior grupo produtivo do País (Foto: Aliny Melo)
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Piscicultura brasileira em números
Produção nacional
- O Brasil produziu cerca de 968,7 milhões de toneladas de peixes de cultivo em 2024, crescimento de aproximadamente 9% em relação ao ano anterior.
Principais espécies cultivadas
- Tilápia: cerca de 662 mil toneladas, representando aproximadamente 68% da produção nacional.
- As espécies nativas tambaqui (foto à direita), tambatinga, pacu e pirarucu formam o segundo maior grupo produtivo do País.
Principais polos produtores
- Os Estados do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Maranhão concentram 80% da produção.
- Além disso, há polos importantes de peixes nativos nos estados da Amazônia e do Centro-Oeste.
Consumo interno
- O consumo nacional de peixes de cultivo é estimado em cerca de 4,35 kg por habitante ao ano, com tendência de crescimento contínuo.
- Considerando todos os pescados (captura e cultivo), o consumo médio brasileiro gira em torno de 10 kg por pessoa ao ano, ainda abaixo da média mundial.
(Dados da Associação Brasileira de Piscicultura – Peixe BR )
#Publicação simultânea com o site Cerrado Rural Agro.
Piscicultura, Embrapa, Salmonella, Biosseguridade, Peixes Nativos, Centro-Oeste, Saúde Única.
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