INOVAÇÃO NA AQUÍCOLA ][ Pesquisas do IP e Apta no Aquaciência impulsionam aquicultura paulista
Data de Publicação: 19 de novembro de 2025 16:14:00 Institutos de SP destacam estudos sobre sanidade de pescado, desafios não-tecnológicos e demanda do consumidor no maior evento do setor.
Da redação
Durante a 11ª edição do Congresso Brasileiro de Aquicultura e Biologia Aquática – Aquaciência, que ocorreu concomitantemente com o IV Encontro Latino-americano de Patologistas de Organismos Aquáticos (Elapoa) e foi encerrado no último dia 14, em Campos do Jordão, o Instituto de Pesca (IP-Apta) e a Apta Regional apresentaram o trabalho de ponta realizado pelas instituições. Os dois institutos concentram as ações de pesquisa em aquicultura ligadas à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de SP, com impacto direto na cadeia produtiva do pescado no estado.
Pesquisa do Instituto de Pesca (IP)
O IP se consolidou como referência na pesquisa para a aquicultura paulista, apresentando 32 trabalhos. Entre os destaques, a pesquisadora Cláudia Maris Ferreira trouxe resultados preliminares de um projeto Fapesp (Fundação de Apoio a Pesquisa do Estado de São Paulo) que pesquisou por três anos o ISKNV (Vírus da Necrose Infecciosa do Baço e Rim), um patógeno emergente que acomete tilápias. A pesquisa rastreou a presença do vírus no estado de SP e mapeou seu genoma completo, cujos dados genéticos já estão disponíveis em bancos moleculares para subsidiar a fabricação de vacinas por outros grupos.
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Equipe do IP/Apta no Aquaciência (Foto: IP-Apta)
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Outra descoberta relevante é que o ISKNV, notificado oficialmente no Brasil em 2020, não sofreu mutações nos últimos 5 anos, o que deve facilitar a produção de uma vacina. No entanto, as pesquisas indicaram que, devido às mudanças climáticas, o vírus deixou de ter caráter sazonal e passou a surgir em períodos do ano antes considerados de poucos casos. Cláudia também destacou a montagem, com recursos do projeto Fapesp, de um laboratório de cultivo celular no IP, especializado em células de organismos aquáticos, sendo um dos poucos do país com esse viés.
A técnica de apoio à pesquisa do IP e pós-graduanda, Cibele Silva, apresentou resultados preliminares de seu projeto de mestrado. O trabalho identificou as principais dificuldades dos aquicultores paulistas, fazendo um levantamento de desafios apresentados nas maiores feiras nacionais e internacionais da área de pescado (Seafood Show e Aquishow Brasil) entre 2022 e 2024.
Cibele realizou entrevistas diretas com produtores, chegando a questões como transporte, logística, marketing, capacitação, treinamento e sanidade. Os problemas foram agrupados em inovações tecnológicas e não-tecnológicas. As análises estatísticas demonstraram que os desafios predominantes são de caráter não-tecnológico, como burocracia e legislação. A pesquisadora sugere que a solução passaria pela aproximação com startups e spin-offs para estabelecer conexões comerciais entre indústria, setor produtivo e P&D, promovendo novas oportunidades.
Ações da Apta Regional (Mercado do Pescado): A Apta Regional, focada em soluções tecnológicas para demandas produtivas regionais, participou com 11 trabalhos de suas unidades de Presidente Prudente, Pariquera-Açu, Pindamonhangaba e Monte Alegre do Sul. O pesquisador Ricardo Firetti, da Apta Regional de Presidente Prudente, destacou trabalhos de um projeto Fapesp para estudar a cadeia produtiva de carne de peixe no Brasil e fazer uma avaliação estadual e regional da oferta e demanda de pescado.
Dentre os destaques, foram apresentados estudos sobre oferta de produtos de pescado em supermercados e a preferência dos consumidores. A pesquisa de oferta levantou informações em 140 pontos de venda, em 23 cidades de 10 regiões de SP, catalogando 5200 produtos. Na pesquisa de demanda, 2600 pessoas foram entrevistadas (com foco na Grande SP) para entender comportamento e preferências.
Firetti pontuou que, embora apenas 30% das pessoas tenham consumo semanal de pescado, cerca de 70% gostariam de consumir toda semana, sendo o preço de venda o maior entrave. A tilápia se destacou em ambos os levantamentos, sendo muito conhecida e presente em 20% dos produtos catalogados. Outro achado interessante é que, apesar de comprarem muito peixe congelado, a preferência é por peixe resfriado e cortado no local de compra. A participação de pesquisadores de diversas unidades fortalece a área de aquicultura dentro da Apta Regional.
Sobre o Aquaciência
É o maior evento científico de aquicultura e biologia aquática do país, promovido pela Aquabio desde 2004, reunindo expoentes nacionais e internacionais com o propósito de inovar e fomentar o desenvolvimento da aquicultura sustentável. A edição de 2025 ocorreu de 11 a 14 de novembro em Campos do Jordão-SP.
Matéria publicada simultaneamente com o site Cerrado Rural Agronegócios.
Aquaciência, Instituto de Pesca (IP), Apta Regional, aquicultura paulista, ISKNV, vírus da tilápia, sanidade, Fapesp, desafios não-tecnológicos, demanda de pescado, tilápia
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