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Desinformação e fakes causam pânico entre consumidores, derrubam vendas e mobilizam pescadores, peixeiros e autoridades do MA e PA

Desinformação e fakes causam pânico entre consumidores, derrubam vendas e mobilizam pescadores, peixeiros e autoridades do MA e PA

Data de Publicação: 28 de setembro de 2021 15:10:00
Conforme o secretário municipal de Economia de Belém, Apolônio Brasil, “muitas fakes news foram criadas em torno do consumo de peixes”.

 

*Por Antônio Oliveira

Mais do que prevenção, o medo. Notícias desencontradas e fake news estão levando consumidores de pescados nas regiões Norte e Nordeste do Brasil ao pânico e consequente queda nas vendas de centenas de vendedores de organismos aquáticos de  rios, cativeiros e mar. Pessoas que sustentam suas famílias com a venda de pescados.

Peixeiros do Ver-o-Peso, em Belém, pedem melhorias estruturais no mercado (Foto: Divulgado)

 

No tradicional Mercado do Ver-o-Peso, em Belém (PA), no último dia 23, os pescadores pediram aos vereadores daquela capital melhores condições para o armazenamento de pescados, proposta que deverá ser analisada pela Câmara Municipal de Belém. Os parlamentares estiveram no mercado checando in loco a situação. Dias antes, esses pescadores haviam feito um protesto relatando a queda nas vendas que, conforme eles, chegam a toneladas.

Conforme o secretário municipal de Economia de Belém, Apolônio Brasil, “muitas fakes news foram criadas em torno do consumo de peixes”.

-  Está tendo um esforço de diversos órgãos para desmitificarem o pânico e a desinformação criada no que se refere ao consumo de peixes. O peixe do Pará é saudável, a população não precisa criar pânico – o secretário afirmou.

Esta onda de desinformação e mentiras também foi debatida por deputados estaduais na sede do Legislativo paraense. O encontro reuniu pesquisadores, autoridades, pescadores, aquicultores e vendedores de pescados. Nessas conversas, levantou-se a necessidade de fornecer algum tipo de auxílio aos profissionais afetadas.

Na opinião do deputado estadual Orlando Lobato, dotar uma feira livre de infraestrutura é obrigação da gestão pública não do feirante.

- Nesse momento, é necessário que o governo dê uma proteção emergencial a esses trabalhadores. Não devemos decretar no estado qualquer situação de alerta. É preciso observar as condições sanitárias, mas não significa que temos que parar de comer peixe - disse o deputado Orlando Lobato.

Casos

Até o momento, Belém registrou três casos. Em todo o estado do Pará são nove casos em investigação e nenhum confirmado. Pesquisadores atuam em duas frentes de trabalho para monitorar a situação e investigar possíveis causas para a incidência da síndrome.

No Maranhão

Em São Luís, capital do Maranhão, a mesma onda de desinformação e fakes news, também espalham o pânico entre os consumidores de pescados, da mesma forma que em Belém,  reduzindo à quase zero as vendas de pescados tanto de água doce (pesca e aquicultura), quanto de água salgada. O relato é que os prejuízos financeiros são enormes, mesmo não havendo nenhum registro da Síndrome de Haff no estado.

- Entende-se o medo do consumidor, porém, é descabido, pois esta doença não foi registrada em São Luís e em nenhum município do Maranhão. Nosso pescado é oriundo da costa maranhense e dos .

 

 

inúmeros açudes existente na Baixada, sendo peixes de qualidade, que nenhum mal causa a quem o consome  - declara Mivaldo de Jesus, comerciante do ramo no entreposto de pescados do Desterro

Ainda segundo ele, não há motivos para ter medo, pois não tem registro de vítimas no estado e descarta que peixes de água doce são importados do Pará. O Maranhão é autosuficiente em peixes desta espécie, produzidos em larga escala nos municípios da Baixada Maranhense, notadamente em Matinha. Os empresários paraenses é que estão importando o produto do Maranhão.

Rony Pereira, outro comerciante no Entreposto de Pescados do Desterro, joga por terra a possibilidade de que o pescado comercializado no Maranhão, venha a causar danos á saúde do consumidor, uma vez que os pescados da costa maranhense, desde o momento da sua captura, são acondicionados em refrigeração, de forma a manter sua qualidade absoluta de peixe fresco.

- Também o peixe da àgua doce, quase em sua totalidade, é produzido em cativeiro sendo alimentado com ração de qualidade, o que lhe dá total garantia. Não tem porque temer - garantiu.

A situação nos mercados  de São Luís

Antonio Pereira, revendedor de pescados,  afirmou para o jornal O Imparcial  que se obrigou a reduzir a oferta de pescados do mar e de água doce, em 50%, tendo em vista que igual percentual de clientes, diminuiu.

- Todos estão temendo uma doença que sequer teve algum registro na capital ou no interior. Nosso peixe vem da costa e é peixe de qualidade, assim com os peixes de água doce, que vem de criatórios, onde recebem tratamento adequado e não tem como causar qualquer doença - garante.

No Mercado da Liberdade, conforme O Imparcial,  a situação é bem mais complicada. Ali, os revendedores já reduziram seus estoques em 50% e estão vendendo menos de 20%. 

Adeilton Lima, mais conhecido como “Dedé”, revendedor,  disse que os prejuízos estão se acumulando, visto que as vendas continuam em queda livre, havendo a necessidade das autoridades sanitárias se manifestarem para desfazer este mal entendido, visto que não se tem conhecimento de qualquer caso desta doença ocorrido no Maranhão. 

Da mesma forma que em Belém, peixeiros de São Luís lamenta queda nas vendas (Foto: Divulgação)

 

- O pescado aqui comercializado é de boa qualidade, vindo da costa, assim como o peixe de água doce, que em torno de 98%, é produzido em cativeiro  afirmou Dedé.

*Fontes: G1-PA e O Imparcial (MA)

Editorial: As informações desencontradas e sem base na Ciência e as maldosas fakes já causaram muitos prejuízos e podem causar ainda mais, com consequente queda na produção e consequente perda de renda e empregos. A situação já clama para uma grande mesa redonda composta por pesquisadores, médicos e lideranças dos setores de pesca e aquicultura num grande trabalho de esclarecimento e tranquilidade da sociedade brasileira, via   todos os meios de comunicação regionais e nacionais. Não é hora de cruzar os braços e deixar que a coisa role livre para que um  lucre em detrimento do prejuízo do outro. A causa é de todos.

 

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