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Trutas podem estar se viciando em Metanfetamina, revela pesquisa

Trutas podem estar se viciando em Metanfetamina, revela pesquisa

Data de Publicação: 20 de julho de 2021 11:57:00
O objetivo da equipe de pesquisa liderada por Horky é o de saber se as drogas ilícitas alteram o comportamento dos peixes.

 

*Por Antônio Oliveira

Pesquisa conduzida por Pavel Horky, ecologista comportamental da Universidade Tcheca de Ciências da Vida em Praga, revela que a truta marrom pode se viciar na droga ilegal metanfetamina acumulada nos cursos d´água.

O objetivo da equipe de pesquisa liderada por Horky é o de saber se as drogas ilícitas alteram o comportamento dos peixes. O estudo foi publicado na último dia 6.

Conforme a CNN noticiou em seu site, os pesquisadores colocaram  40 trutas marrons em um tanque de água, contendo um nível de metanfetamina que foi encontrada em rios de água doce, por um período de oito semanas, antes de transferi-las para um tanque limpo.

De dois em dois dias, os pesquisadores verificaram se os peixes estavam sofrendo de abstinência de metanfetamina, dando-lhes a escola entre água contendo a driga ou água pura. Outras 40 trutas foram usadas como grupo de controle.
Este controle revelou que a truta que passou as oito semanas em água contendo a droga, optou por retornar à água com metanfetamina.

- Isso indica que eles estavam em abstinência porque procuraram o medicamento quando ele foi disponibilizado - revelam os pesquisadores.

Os pesquisadores descobriram ainda que o peixes viciados eram menos ativos do que aqueles isentos da droga. Eles encontraram sinais da metanfetamina no cérebro dos peixes até 10 dias após a exposição a droga.

A conclusão da pesquisa é que, mesmo com baixos níveis de drogas ilícitas em cursos d´água podem afetar os animais.
Este estudo revela também que as drogas eliminadas por usuários passam por sistemas de esgoto e, em seguida, são descartadas  em hidrovias de estações de tratamento de fluentes, que não são projetadas para tratar esse tipo de contaminação.

- Os peixes são sensíveis aos efeitos adversos de muitas drogas neurologicamente ativas, do álcool à cocaína, e podem desenvolver o vício em drogas relacionado à via de recompensa da dopamina de maneira semelhante aos humanos - disse Horky à CNN.

O cientista mostra-se preocupado com o fato de que o vício em drogas podem fazer os peixes passarem mais tempo perto das descargas de tratamento de água que não são saudáveis para eles, a fim de obter outra dose.

- Esses efeitos podem mudar o funcionamento de ecossistemas inteiros, visto que as consequências adversas são relevantes tanto a nível individual como populacional - disse ele.

 

 

Peixes são sensíveis aos efeitos adversos de muitas drogas neurologicamente ativas (Foto: Pavel Horký)

 

- O desejo por drogas pode ser mais poderoso do que recompensas naturais como a busca por alimentação ou acasalamento - acrescentou.

Após o estudo, os peixes foram sacrificados e seus tecidos cerebrais analisados.

A pesquisa destaca como os humanos poluem o meio ambiente além das coisas perceptíveis, como manchas de óleo e resíduos de plástico.

Para a CNN, Horky disse ainda que as descobertas desta pesquisa têm implicações para os efeitos de medicamentos prescritos como a fluoxetina, comumente conhecida como Prozac, na vida aquática.

- Pesquisas atuais de equipes de todo o mundo mostram, sem dúvida, seu impacto adverso sobre os ecossistemas, que por sua vez podem influenciar os humanos - disse ele.

O estudo foi publicado no "Journal of Experimental Biology".

Conforme a CNN, não é a primeira vez que a vida aquática sente o efeito do uso farmacêutico humano.

- Em maio de 2019, pesquisadores no Reino Unido anunciaram que encontraram traços de drogas ilícitas, produtos farmacêuticos e pesticidas em amostras de camarão de água doce – informou o mega canal global de televisão.
E acrescenta:

- Em maio de 2018, cientistas trabalhando em Puget Sound, uma enseada do Oceano Pacífico ao longo da Costa noroeste do estado de Washington, nos Estados Unidos, disseram que os mexilhões da área tinham testado positivo para o opioide oxicodona prescrito.

*Com informações da CNN

 

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