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Quebra de safra e preços do milho brasileiro fazem gigantes comprarem o grão na Argentina

Quebra de safra e preços do milho brasileiro fazem gigantes comprarem o grão na Argentina

Data de Publicação: 11 de junho de 2021 14:25:00
BRF e JBS foram as primeiras empresas a importarem o grão do país vizinho. Outras empresas devem fazer o mesmo, como as outras visando atender a grande demanda por carne em suas processadoras

 

*Da Redação

As primeiras cargas de milho argentino começaram a chegar no Brasil, a princípio exportadas pelas empresas BRF e JBS. Com a quebra de safra do milho no Brasil, encarecendo o grão, as empresas que trabalham com cria e processamento, principalmente de aves e suínos, estão buscando a matéria-prima para ração no país vizinho.

Aproximadamente 35 mil toneladas  chegaram ao Brasil por meio do porto de Paranaguá, no Paraná, e outras 30 mil toneladas chegaram ao rio Grande do Sul na semana passada. Outros quatro navios com milho produzido na Argentina devem aportar no Brasil ainda neste mês, conforme informou a agênciade notícias Reuters,  a agência marítima Cargonave, que incluem também o terminal  catarinense de Imbituba como destino.

O milho brasileiro sobre quebra de safra, tornando-se escasso e, consequentemente, tem preços altos (Foto: Divulgação)

 

- Já chegaram navios, foram descarregados. Tem importação de trigo, não só de milho, para ração -  disse à Reuters Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Santin informa ainda  sobre as alternativas das companhias produtoras de carnes suína e de frango, cujos custos estão crescentes devido ao preço das matérias-primas para alimentação.
 
Ainda para a Reuters, a Aurora Alimentos afirmou,  por meio da assessoria de imprensa, que está avaliando compras no país vizinho, mas que não está fazendo a operação “ainda”.
 
Conforme a Reuters, ao todo, entre volumes desembarcados e previstos para junho, o Brasil deve internalizar 191 mil toneladas de milho da Argentina via navios.
 
O volume previsto de milho argentino na programação de navios representa quase o dobro das 103 mil toneladas compradas no parceiro do Mercosul em todo o ano passado, segundo dados do Ministério da Agricultura.
 
No primeiro quadrimestre, o Brasil já importou 758 mil toneladas de milho, aumento de quase 70% ante o mesmo período do ano passado, com o produto do Paraguai, que chega em geral de caminhão, dominando quase que 100% das importações.
 
Ainda que a colheita da segunda e maior safra brasileira do cereal esteja próxima de ganhar ritmo, o 
 

 

que em tese dificultaria negócios com o produto importado, a expectativa é de que cresçam ao longo do ano os volumes comprados pelo Brasil, que normalmente figura como o segundo exportador mundial de milho quando a oferta é mais abundante.

Em 2020/21, na direção contrária, as importações do cereal pelo Brasil devem somar 2,5 milhões de toneladas, cerca de 1 milhão acima da temporada passada, segundo estimativas recente da StoneX, que também vê uma forte queda nas exportações brasileiras devido à menor oferta.
 
Para Santin, da ABPA, o dólar mais fraco frente ao real agora tem tornado o produto importado menos caro, sinalizando mais importações a depender dos desdobramentos no mercado brasileiro.
 
- O dólar já começa a jogar do nosso lado - destacou ele.
 
Após máximas de fechamento de cerca de 5,80 reais em março deste ano, agora a moeda norte-americana está em torno de 5 reais, com uma queda acumulada em 2021 de 3% com base no encerramento da véspera.
 
- Se vai entrar mais ou menos (importado da Argentina) vai depender do impacto da safrinha e do dólar, do prêmio da paridade, que agora tem se mostrado uma alternativa atrativa. A diferença de preços mesmo, entre o importado e o nacional, aí cada empresa tem seus cálculos - comentou Santin.
 
O presidente da ABPA, que preferiu não comentar sobre importação de milho argentino por companhias, disse sem citar nome que uma empresa “vai comprar mais de 100 mil toneladas de milho do Paraguai por terra, via caminhão”.
 
Ele ponderou ainda que os preços internos do milho começam a ter um pouco mais de estabilidade, ainda que em patamares elevados.
 
Segundo o indicador Esalq, o milho está em 96,57 reais a saca, já inferior ao patamar histórico de 103 reais visto em meados de maio, mas mais que o dobro do valor nominal registrado no mesmo período do ano passado.
 
Além de os valores terem subido na esteira das cotações internacionais, também influenciou a quebra da segunda safra pela seca, que deverá ser reduzida em mais de 15 milhões de toneladas em relação ao potencial, segundo algumas consultorias.
 
A AgRural, por exemplo, vê a colheita de inverno do centro-sul em 60 milhões de toneladas.
 
Já a StoneX estima a segunda safra do país em 62 milhões de toneladas, redução de 17% ante a temporada anterior, enquanto o consumo nacional no ano está projetado em um recorde de 71,5 milhões, com a forte demanda da indústria de carnes.


*Fonte: Money Times e Agência Reuters.

 

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