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SEMINÁRIO – “Peixe, um cardume de oportunidades”

Publicado em 20/08/2018

SEMINÁRIO – “Peixe, um cardume de oportunidades”

Mais de 500 pessoas participaram o Seminário (Foto: Antônio Oliveira)

Por Antônio Oliveira

Município integrante de uma região produtora de Abacaxi e de forte bovinocultura, Pau D´Arco, às margens do caudaloso e belo Rio Araguaia, na região noroeste do Tocantins, divisa com o Mato Grosso, busca mais um nicho de exploração econômica. Seu atual prefeito, João Neto, mais conhecido como “João da Serraria”, vê na piscicultura uma nova oportunidade de geração e renda para seu povo e geração de impostos para o Município. Para isto, ele está focado nos pescadores do Município, que vivem da pesca extrativista e/ou do salário defeso do Governo Federal e nos assentamentos de pequenos agricultores.

O primeiro passo do Prefeito para atingir esses objetivos foi promover, juntamente com o Sebrae-TO e apoio da Embrapa Pesca e Aquicultura, o seminário “Peixe: um cardume de oportunidades”, realizado na última sexta-feira, 17, com a presença de mais de 500 pessoas da região, entre pequenos produtores, pescadores, estudantes, moradores e autoridades municipais, estaduais e federais.

– Nós esperamos um grande resultado, mostrar para o nosso povo como se pode aproveitar mais o Rio, não ficar dependendo só do extrativismo, mas sim, também, fazer uma cadeia produtiva onde conseguiríamos vários empregos – disse João Neto, em entrevista a Cerrado Rural Agronegócios.

Ainda conforme ele, o Seminário terá um resultado muito proveitoso.

–  Nós vamos aprender muito com vocês e com todos os palestrantes que aqui estão – enfatizou.

Prefeito João Neto: “Apoio não ai faltar” (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

João Neto disse ainda que, se depender dele, Pau D´Arco vai ser não só destaque estadual na produção de abacaxi, mas de peixe, também.

– O peixe será um grande negócio para o nosso povo, atraindo indústrias para cá, onde só falta o incentivo. E o incentivo não vai faltar, porque daqui pra frente nós vamos dar este apoio, juntamente com o Sebrae, a Embrapa, o seu, e o da imprensa como um todo.

O Seminário contou com quatro palestras. A primeira foi com o ex-chefe geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, Carlos Magno. O tema dele foi “Oportunidade de negócios no Tocantins – panorama e perspectivas”. A segunda foi com o chefe-geral de referido Centro de Pesquisa, Alexandre de Freitas, que falou sobre “Segurança Alimentar, utilizando o Sisteminha Embrapa no Tocantins”. A prefeita de Brejinho de Nazaré e piscicultura, Miyuki Hyashida, discorreu sobre “Cadeias produtivas – parques aquícolas de Brejinho de Nazaré”. Por fim, encerrando o evento, o apresentador do programa Planeta Turismo, da Rede TV,  Ruy Façanário, falou sobre a pesca esportiva como fonte de turismo.

Um dos quatro palestrantes do evento, o chefe geral da Embrapa Pesca e Aquicultura (Tocantins), Alexandre de Freitas, disse, em entrevista a Cerrado Rural Agronegócios que o objetivo central da instituição que dirige no evento foi a apresentação do “Sisteminha”, projeto da estatal de pesquisa para a produção familiar de peixes em áreas rurais e/ou urbanas

– É um conjunto de tecnologias, uma estratégia de produção voltado para a agricultura familiar, para comunidades carentes do campo. Nós mostramos que existe um contingente considerável de pobreza rural no Tocantins. A expectativa é a de sensibilizar os prefeitos, as autoridades locais e da região para a importância de se ter estratégias de superação da pobreza com produção, com sistemas simples, integrados, de baixo custo que são extremamente aplicáveis aos agricultores familiares e pequenos produtores – apontou

Alexandre de Freitas: “Sisteminha é a solução para mitigar a fome” (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

Sobre a pretensão do prefeito João Neto de tornar o município num núcleo regional de piscicultura, Alexandre de Freitas disse que é preciso, antes, uma análise técnica.

– Mas acho que sim. Um fator importante é a água. Aqui é uma região que tem uma disponibilidade hídrica que é natural no Tocantins. O Estado todo tem condições de abrigar núcleos de piscicultura.  Eu acredito que não tem um canto no Tocantins que não tenha essa característica. É uma oportunidade natural do Tocantins explorar a piscicultura.

Já para o superintendente do Sebrae no Tocantins, Omar Hennemann, a entidade que superintende, enquanto instituição, “tem na sua missão, de uma forma muito clara, auxiliar, ajudar, cooperar com o desenvolvimento regional”.

– Nós nos enxergamos também como uma agência de desenvolvimento regional e quando nós somos provocados e buscamos parcerias para realização de eventos que têm por finalidade o desenvolvimento regional, estamos sempre presentes – disse.

Ainda segundo ele, parceria como a que foi feita com a Prefeitura de Pau D´arco e com o apoio da Embrapa, pode se dar em qualquer lugar.

– Não é que os nossos eventos precisam ser somente nas grandes cidades. Essa descentralização fez com que muitas pessoas tenham a possibilidade de participar deste evento porque estão nessa grande região que é banhada pelo Rio Araguaia, que tem água abundante, não só do Rio, mas em outras situações e esse assunto, peixe, não é que esteja na moda, mas é o grande potencial do Tocantins, que não deu conta de acompanhar outros estados, como Roraima, Mato Grosso, o Acre. Eles avançaram.

Omar Hennemann: “Sebrae presente nos mais distantes lugares” (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

Ao tocar no que é “o calcanhar de Aquiles” do Governo do Tocantins, Hennemann foi questionado por nós o que o Sebrae sugeriria para que o Tocantins tirasse o pé do chão em questão de piscicultura.

– Eu sugiro que, de uma vez por todas, nós esqueçamos essa história de que o Tocantins é um estado criança, jovem, que está apenas iniciando.  Não, nós somos um “marmanjo” de 30 anos de idade que insiste em morar com a mãe. Então, é preciso colocar isso em cima da mesa do desenvolvimento do Tocantins, ou seja, os gargalos que estão impedindo que essa piscicultura, que a produção de peixes, esse cardume de oportunidades que é o peixe, sejam de uma vez por todas colocados em prática políticas públicas. É só cada instituição, cada agricultor desse desenvolvimento cumprir o seu papel – pontuou.

Tilápia a um passo de entrar no Tocantins

Já a superintendente da Aquicultura e Pesca no Tocantins, Nazaré Martins, em entrevista a Cerrado Rural Agronegócios, comentou, em princípio, os vai-e-vem deste setor no Governo Federal.

– Sem dúvida nenhuma, a Pesca, hoje, está estabelecida e instalada junto à Presidência da República e deixou de ser Ministério da Pesca para se tornar Secretaria Especial da Aquicultura e Pesca.  Com certeza, isso nos garante um fortalecimento maior do segmento – disse.

Nazaré Martins: “Redenção para a Colônia de Pescadores” (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

Sobre o seminário “Peixe: um cardume de oportunidades”, ela disse que “presenciando um evento desse porte, onde toda a cadeia esteve reunida, é um avanço muito grande essa discussão.

– De maneira geral, seja no tanque rede, ou no tanque escavado, ou no próprio “Sisteminha”, que acabamos de ver, por meio de uma excelente palestra da Embrapa, este é um momento ímpar para nós, porque são esses eventos, são essas circunstâncias, são essas oportunidades que vão fazer com que o Tocantins evolua nesse segmento, cresça permitindo uma evolução na questão do licenciamento por parte do Governo do Estado, permitindo uma melhor adequação desse segmento com uma política pública governamental – apontou.

Ainda conforme Nazaré Martins, eventos como este fazem com que a sociedade tenha uma “oportunidade de melhor colocar esse segmento tão promissor, com uma possibilidade real de crescimento econômico, de geração de divisas, de geração de emprego e renda para as comunidades e de uma maneira muito especial para as colônias de pescadores que hoje estão sofridas”.

–  A população aumentou, como bem disse o Carlos Magno, há pouco, na sua palestra, e o peixe diminuiu pela pesca profissional artesanal. Então, é necessário que nós, como Governo Federal, como Governo do Estado, entremos nessa situação para que possamos buscar, por meio da piscicultura, uma nova fronteira de desenvolvimento para as colônias de pescadores, para que estes possam ter na piscicultura uma oportunidade de estar também gerando mais renda para eles, já que a pesca extrativista, no momento, está extremamente prejudicada – frisou.

Nazaré Martins, ainda nesta entrevista, foi questionada sobre como a Secretaria Nacional da Aquicultura e Pesca está acompanhando e atuando no Tocantins, no que diz respeito a inserção do Estado no panorama nacional de produção de tilápia.

– Sem dúvida nenhuma, nós somos órgão fomentador. Todas essas discussões de questão ambiental, que a tilápia proporciona, e o que não proporciona, isso já foi discutido, já foi avançado e o COEMA (Conselho Estadual do Meio Ambiente do Tocantins) já se colocou favorável à entrada da tilápia aqui no Estado. Assim como o COEMA, que é o órgão supremo do Estado, na questão ambiental, que está muito bem representado pelas instituições ambientais como Ibama, Secretaria de Estado do Meio Ambiente, isso já foi extremamente discutido, e o COEMA decidiu que a tilapia vai entrar no Estado – disse.

Ela defende ainda que cabe ao Estado e ao Governo Federal, andarem juntos, “porque nós somos também o órgão fomentador, e essas questões ambientais foram muito bem discutidas”.

– Cabe ao Governo do Estado encontrar o caminho de suas condicionantes – o que pode ser feito, o que não pode ser feito. Também, os licenciamentos ambientais que precisam ser acertados nesse sentido, porque, hoje, ainda é bastante moroso – frisou.

Nazaré Martins, explicou ainda que “isso emperra a evolução da piscicultura no Estado.

– Há estados como Roraima, Rondônia que avançaram bastante nesse quesito e estão, hoje, numa condição muito melhor do que o Tocantins e este tem potencial hídrico extraordinário, um potencial de solo, um potencial de clima extremamente favorável. Poderá, sem dúvida nenhuma, ser, num curto espaço de tempo, o maior produtor do Brasil – pontuou.

As palestras

Em sua palestra, Carlos Magno, explicou porque criar peixe é um bom negócio; as questões ambientais; discorreu sobre a importância da piscicultura para a segurança alimentar e o crescimento do setor no mundo, com destaque para a forte demanda por peixes no Brasil, tendo este que importar mais do que produz. “O Brasil importa US$ 1 bilhão de peixes por ano”, revelou.

Carlos Magno: “Tocantins poderia estar produzindo muito mais”(Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

Ainda conforme ele, o Tocantins poderia estar produzindo, atualmente, vinte vezes mais do que produz – algo em torno de 15 mil toneladas. Nesta parte da palestra, ele citou o caso de Rondônia que começou a produzir peixes em escala comercial bem depois que o Tocantins e hoje produz mais ou menos 7 vezes mais.

Ele citou a piscicultora Miyuki Hyashida e o agronômo e atual secretário de Agricultura de Palmas, Roberto Sahium, como os dois principais ícones da piscicultura no Tocantins e  finalizou criticando a morosidade do Tocantins em autorizar o cultivo da tilápia em tanques redes.

Alexandre de Freitas, com o seu tema – “Sisteminha” -, falou sobre segurança alimentar no Tocantins, o número alarmante de pessoas que passam fome no Estado e o uso do “Sisteminha” como meio de mitigar a fome e ainda comercializar o excedente. O sistema permite a integração entre criação de peixe e produção de pequenos animais como frangos e hortaliças. Sua implantação fica em torno de R$ 1.600,00 e é de fácil manejo.

Miyuki: Falou da produção de peixes no Parque Aquícola de Brejinho, tocado por pequenos produtores (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

A prefeita de Brejinho de Nazaré e piscicultura, no ramo de produção de alevinos de peixes nativos, falou sobre o parque aquícola implantado no trecho do Lago da Usina Luís Eduardo Magalhães. O Parque, de acordo com ela, tem 21 áreas de 0,3 hectares cada; 42 tanques redes, 26 produtores ativos e produziu em 2017, 7,5 toneladas de peixes nativos.

A quarta e última palestra, preferida por Ruy Façanário, abordou a pesca esportiva como grande nicho de turismo para a região.

Peixe à mesa

Entre cada bloco de 2 palestras, os organizadores do evento ofereceu um delicioso almoço para quase 600 pessoas, onde várias espécies de peixes nativos foram a única proteína animal servida.

*Colaborou: Anahyny Aquino

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