segunda, maio 21, 2018

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AGROTINS 2018 – Maior gargalo da aquicultura no sudeste do Tocantins é o preço da ração

Publicado em 09/05/2018

AGROTINS 2018 – Maior gargalo da aquicultura no sudeste do Tocantins é o preço da ração

Andrey Costa: Contudo, “perspectivas são as melhores possíveis” (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)


Por Antônio Oliveira

O Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins) e a Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Tecnologia, Ciência, Turismo e Cultura do Tocantins (Seden), apresentou, na manhã desta quarta-feira, 9, na Agrotins, os resultados parciais do Censo da Piscicultura neste Estado. Na verdade, o que estava previsto no projeto deste levantamento, era que os resultados fechados fossem divulgados agora. Porém, reviravoltas políticas (troca-troca de governadores), no Estado tocantinense, atrasou esse trabalho.

Das quatro regiões do Estado, o sul teve seu senso concluído, porém ainda não computado; a região sudeste concluído e computado; região central, com 80% dos trabalhos prontos e norte, com 60%.

A parcial do Censo foi apresentada pelo gerente de Pesca e Aquicultura do Ruraltins, Andrey Costa. O destaque é para a região sudeste do Tocantins, que já foi, até o ano 2000, o maior polo de piscicultura do Brasil, mas que, com seus 13 municípios continua líder em todo o Estado, ao menos se se basear na parcial deste levantamento.

Conforme Andrey Costa, a região tem 259 propriedades com atividades de aquicultura e apenas 3 não abriram as porteiras para os recenseadores. O Município com maior número de propriedade em produção de peixes é Taguatinga, com 41 propriedades. Em seguida está a cidade de Almas, com dois frigoríficos e 27 unidades de produção.

No total, o sudeste tem 1.308,70 hectares de lâmina d´água; 19. 120m³ de tanques redes ou elevados. 54% dessas propriedades cultivam peixes para fins comerciais; as demais para subsistência ou lazer. Em barragens, a região tem 12.378, 586m³, o que representam 86% de todos os modelos de cultivo, e 19.072 m² em tanques-rede. A região produziu mais de 9 mil toneladas de peixe no ano passado.

As espécies mais cultivadas na região sudeste do Tocantins é o tambaqui, com 4.993,325 kg/ano; redondos, com 2.679, 433 kg/ano; o surubim/pintado, 1.282,566 kg/ano. Com volume menor que este vem, pela ordem a matrinxã/piabanha; curimbatã/curimba; caranha; pirarucu/pirosca e em último, com 5.690 kg/ano, a tilápia, cultivada em tanques de solo.

Toda esta produção rendeu à região sudeste, em 2017 mais de R$ 97.606,000.

Alevinos

A região produziu 4.895 milheiros de alevinos em 3 unidades de produção. O Censo levantou ainda que 85% dos alevinos adquiridos pelos aquicultores da região sudeste são produzidos no Tocantins; 6% na Bahia; 2% em Goiás e 7% em vários outros estados.

Na nutrição dos animais, a pesquisa revelou que boa parte dos aquicultores da região não sabe qual é a participação da ração nos custos totais de sua produção e que 67,13% da ração adquirida é comercial, o resto e alternativa e natural.

Fato complicador, segundo o Censo da Piscicultura no Tocantins, é que 72% dos produtores de peixe não fazem o manejo correto de sua atividade, principalmente o manejo da água; 86% estão em situação irregular, ambientalmente falando, o que reflete no acesso deles ao crédito: 86% não conseguem custeio junto aos bancos oficiais para sua produção.

A Assistência Técnica pública é satisfatória entre esses produtores, conforme revela o Censo: 88% são assistidos em suas propriedades.

Projeto Tamborá, o maior frigorífico da região sudeste do Tocantins, com produção própria (Foto: Aquivo Cerrado Rural Agronegócios)

As principais dificuldades levantadas pelo Censo da Piscicultura no Tocantins no sudeste do Estado são custo da ração, 18,75%; licenciamento, 16,10%; ATER, 13,07%; crédito, 10,80% e alcance dos frigoríficos, 8,52%. Há também a reclamação em relação as péssimas condições das estradas vicinais na região.

Gargalos e perspectivas

Conforme Andrey Costa, o Censo da Piscicultura no Tocantins tem levantado dados bastante interessantes de produção.

– Nós estamos com números que, realmente, podem ultrapassar os dados que o IBGE apresenta, o que é o nosso objetivo, mostrar que a produção de peixes no Tocantins é mais expressiva do que o órgão federal apresenta.

Ele diz ainda que durante este Censo, os técnicos estão vendo grandes produtores, com grandes tecnologias e investimentos. Mas, também, outra realidade, como contraste:

– Pequenos produtores familiares, que realmente produzem pouco, mas que contribuem para os estoques das feiras-livres das pequenas cidades.

Como principal gargalo na produção de pescados no sudeste, conforme opina Andrey Costa, está  o valor da ração, bem acima do praticado em outras regiões, inviabilizando a piscicultura.

– Por este motivo que a gente ver também um outro problema que é o produtor não procurar o frigorifico para comercializar a sua produção. Isto ocorre porque o custo da sua produção é alta, em relação ao praticado por médios e grandes produtores, ficando seu produto mais caro que a de outros produtores e acima do limite pago pelos frigoríficos.

Andrey Costa diz que a ideia do Ruraltins é equalizar essa situação, promover compra coletiva, diminuindo o valor da ração e do frete.

– Com isto, o produtor diminui o custo de produção e pode realizar sua comercialização por meio de um frigorífico inspecionado.

Perspectiva. Para Andrey, é a melhor possível.

– Vamos continuar monitorando, fazendo dados históricos deste 2017. A gente pretende fazer o de 2018 e assim por diante, monitorar para a gente aumentar cada vez mais esta produção tocantinense, concluiu em entrevista a Cerrado Rural Agronegócios.

O Censo da Piscicultura no Tocantins tem o apoio da Embrapa Pesca e Aquicultura e Secretaria do Desenvolvimento Rural e Pecuária do Tocantins.

 

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