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PEIXES – Encontro debate consequências de barragens na ectiofauna

Publicado em 21/04/2018

PEIXES – Encontro debate consequências de barragens na ectiofauna

*Da Redação

 O Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), por meio da Diretoria de Licenciamento Ambiental e parceiros, reuniu no auditório do órgão, nesta sexta-feira, 20, técnicos, acadêmicos e sociedade em geral, para discutir o futuro dos rios e recursos pesqueiros do Tocantins.

Naturatins e parceiros discutem o futuro dos rios e recursos pesqueiros do Tocantins (Foto: alvaro Vallim/Governo do Tocantins)

O professor da Universidade Federal do Tocantins (UFT), o doutor Fernando Pelicice, discorreu sobre os “Impactos da construção de barragens sobre a ectiofauna”. Ele demonstrou o grande número de barragens no Tocantins, bem como as que estão projetadas. Falou também sobre as rotas migratórias dos peixes e enfocou a redução dos cardumes nas bacias dos Rios Araguaia e Tocantins, em razão das bacias estarem alteradas.

– Esse fato é concreto, é um termômetro. Segundo os pescadores essa redução dos peixes, está cada vez maior. Muitas espécies desapareceram e isso é um prejuízo para a diversidade aquática. O estado do Tocantins é um reflexo do Brasil. A construção de barragens começou no Sul e Sudeste e está subindo para o norte e nordeste – apontou.

Na visão do pesquisador,  em relação à polêmica sobre a interligação do Rio Tocantins com o Rio São Francisco, ele disse considerar negativa. Explicou que o Rio São Francisco está destruído devido a grande quantidade de hidrelétricas e desmatamento ao longo do Rio.

– O agronegócio é importante para a economia, mas é altamente insustentável, porque destrói o solo, provoca erosão e assoreamento, que resulta na destruição dos mananciais e ocorre desequilíbrio ecológico – assegurou.

Há cerca de 20 anos pesquisando peixes das bacias dos Rios Tocantins e Araguaia, o professor da UFT, o doutor em Ecologia Carlos Sérgio Agostinho, considera relevante o evento. E também faz críticas a construção de barragens. Ele destacou que encontros como este, são bons para atualizar as informações. É sempre importante lembrar que os impactos sempre existiram e sempre existirão. Porém, é necessário tomar atitudes para tentar minimizá-los.

– São adotadas muitas medidas, mas nem sempre são efetivas. Os grandes impactos são relativos à construção de barragens. Sem dúvida as hidrelétricas são o maior problema para a ectiofauna, isso porque os rios brasileiros estão se transformando em uma sequência de lagos – considerou.

Além das palestras, a programação contou com painéis sobre a situação das barragens existentes no Tocantins, bem como sua influência no meio aquático.  Os participantes tiveram acesso à coleção científica de peixes da UFT, formada por peixes em processo de extinção e até já extintos. A coleção demonstrou uma variedade de mandins e pacus do Tocantins. Também foi apresentada espécies de peixes das bacias do estado do Tocantins, em aquários.

Para o biólogo e professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Tocantins (IFTO), Pedro Ribeiro, um evento como esse é de grande relevância em razão de ser uma discussão sobre a preservação, não somente dos peixes.

– Quando começamos preservar as espécies de peixe a gente acaba incentivando a preservação da espécie humana. Por que se não investir em pesquisa visando à preservação, seja dos peixes migratórios, das águas ou dos outros grupos, acaba-se tirando o foco do planeta como um todo.  Não incentivar esse tipo de ação, é o mesmo que condenar o ser humano a sua extinção – refutou.

Para o biólogo e doutorando em Ecologia e um dos organizadores do evento, Oscar Vitorino, as discussões sobre a migração dos peixes estão começando no Brasil. Mas ele afirmou que só de se conseguir criar uma conscientização das pessoas, delas respeitarem os peixes migradores, os tamanhos para se pescar, os locais e a legislação, já é muito positivo.

– Neste evento tivemos um público interessante, isso mostra que esse público já está mais consciente, e temos o que comemorar – enfatizou.

Parceiros

O Dia Mundial de Migração de Peixes teve origem na Europa, onde foi fundada a World Fish Migration Foundation, que incentiva e sincroniza os eventos em todo o mundo, para celebrar a importância da preservação dos rios para os recursos pesqueiros e as populações humanas.

Neste ano a celebração conta com mais de 500 eventos pelo mundo, principalmente na Europa e Estados Unidos. Nove eventos serão no Brasil, sendo um no Tocantins/Naturatins. O evento é organizado com colaboração da ONG Projeto Pirapitinga, e financiado pela Rufford Foundation, entidade de apoio a projetos ambientais em todo o mundo.

*Fonte: Ascom/Naturatins, com edição de Cerrado Rural Agronegócios

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