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TILÁPIA  – Mais duas associações de aquicultores contestam a Nota Técnica da SBI – Piscishow&Avisuleite TILÁPIA  – Mais duas associações de aquicultores contestam a Nota Técnica da SBI – Piscishow&Avisuleite

Piscicultura

TILÁPIA  – Mais duas associações de aquicultores contestam a Nota Técnica da SBI

Publicado em 10/02/2018

TILÁPIA  – Mais duas associações de aquicultores contestam a Nota Técnica da SBI

Por Antônio Oliveira

Após a publicação da Nota Técnica da Sociedade Brasileira de Ictiofauna (SBI), fazendo coro com aqueles que, em todo o Brasil, sem embasamento científico comprovado e sem base na experiência de mais de 40 anos desde a introdução da tilápia no Brasil, tenta impedir a inserção desta espécie em novas fronteiras aquícolas e ainda tenta desconstruir a cadeia produtiva dele em tradicionais regiões produtoras.

Devido a sua alta genética, a tilápia reproduz rápido e está pronto para corte em quatro meses (Foto: Antônio Oliveira/Revista Cerrado Rural Agronegócios)

Ora, incompreensível e lamentável essas ações. A tilapicultura é o ramo da aquicultura mais social e economicamente viável no Brasil e em muitos países mundo a fora. Contudo, a atividade não está para tirar o espaço do cultivo das espécies nativas nas diferentes regiões do Brasil. Há espaço e mercado – muito mercado no Brasil e no mundo –  para todas as espécies, de acordo com a tecnologia, manejo e marketing de cada uma. No Brasil, estados como Rondônia, Mato Grosso, Tocantins e Pará têm experiências em sucedidas com algumas espécies amazônicas, mas nunca, por atrasos nas pesquisas, principalmente as públicas, são iguais a tilapicultura. Mas os nativos não desaparecerão. Eles chegarão a ser tão competitivos quanto a tilápia. Será o mesmo que o consumidor pode, na contemporaneidade, escolher a carne do massificado nelore ou as de raças nobres como o angus, wagyl, brahman, hereford, braford, guzerá, simental, limousim, etc. Ou seja, a diversidade de carne bovina é muito grande. Tem preço melhor quem oferece sabor, qualidade e constância. Assim será na aquicultura.

A tilápia, pelo fato de seu fácil manejo e rapidez no seu ciclo, pode ser comparada com o frango d´água ou o nelore d´água. Ambos de cultura massificada, precoce e acessível ao bolso de todos. Aliás a tilápia produzida no Brasil é da linhagem GIFT (Genetic Improvement of Farmed Tilápia, que em português significa melhoramento genético de tilápias de fazendas) e teve sua genética desenvolvida pela World Fish Center, justamente pelo seu poder de fácil multiplicação. A modificação tornou o peixe de fácil produção, manejo e sabor, justamente atendendo a uma recomendação da FAO para contribuir com a segurança alimentar do mundo.

Contestações

É isto que cientistas, pesquisadores e associações de piscicultores de todo o Brasil estão mostrando, derrubando, com forte embasamento em farta literatura, a tese da SBI. As mais recentes notas técnicas são da Associação dos Aquicultores do Estado do Mato Grosso (Aquamat) e da Associação Norteparanaense de Aquicultores (Anpaqui), que são contundentes em seus argumentos fundamentados nas pesquisas e nas experiências de tilapicultores de todo o Brasil.

– É indiscutível o papel que a piscicultura e a tilapicultura têm sobre a sustentabilidade e saúde alimentar da população humana e brasileira. De acordo com a FAO (2016) o Brasil deve registrar um crescimento de 104% na produção da pesca e aquicultura em 2025. O mesmo órgão ressalta a importância desse alimento na segurança alimentar no futuro – argumenta a Anpaqui.

E continua:

– De acordo com Neiva (2009), a importância do consumo de pescado deve-se principalmente aos teores de vitaminas A e D, cálcio e fósforo, qualidade dos lipídios e presença de proteínas de elevado valor biológico. A mesma autora ressalta que “uma alimentação segura na infância estimula uma alimentação saudável na vida adulta, sendo assim, é muito importante a adoção de estratégias nacionais que incentivem a população ao consumo de pescado de qualidade” – frisa.

Ainda de acordo com a Anpaqui, nesse sentido, a Tilápia do Nilo apresenta todas as características nutricionais explicadas acima, pode ser preparada de diversas formas e mostra-se de fácil acesso para a população.

– Do ponto de vista socioeconômico, a tilapicultura tem se mostrado nas últimas décadas como uma atividade de grande impacto positivo na sociedade e na população através da criação de vagas de emprego, implantação de políticas e projetos familiares, criação de renda e benefícios para famílias de baixos recursos, crescimento social e econômico de pescadores e ribeirinhos – pontua.

A Aquamat opina também sobre a viabilidade social, econômica e ambiental da tilápia no Brasil.

– Além do repovoamento, as tilápias (e outras exóticas) tiveram um importante papel na aquicultura brasileira, uma vez que muito do know how empregado para criação dessas espécies tem servido de base para adaptação ou desenvolvimento de tecnologia específica para as espécies nativas com a intenção de viabiliza-las em sistemas de produção em tanques rede. A introdução e o sucesso das tilápias trouxeram e traz consigo uma série de empresas de insumos (equipamentos, ração, vacinas, etc.) e de técnicas de manejo que são aproveitadas para iniciar a domesticação de várias espécies nativas – apregoa.

Ela cita ainda  alguns exemplos que podem ser citados:

– As tecnologias para cultivo em tanque-rede, as técnicas de melhoramento genético e o desenvolvimento de melhores rações para peixes brasileiros, entre outros. No caso específico da nutrição, cita-se a importante contribuição que as rações de tilápias, em especial a tilápiado-nilo (O. niloticus), trouxeram para as espécies nativas brasileiras – frisa.

Sobre as acusações de que a tilápia é uma peixe predador, a Anpaq argumenta o seguinte:

– Deve ressaltar-se que após mais de 40 anos de presença da Tilápia do Nilo no Brasil nunca foram relatados episódios de extinção de outras espécies provocadas por esse peixe e acreditamos que nunca serão relatados. Se fosse uma situação real, e pensando nas características de alta precocidade e facilidade de reprodução da Tilápia, esses eventos teriam ocorrido na primeira década após sua importação. Por isso, mesmo que existam alguns estudos que relatem a possibilidade ou risco desses acontecimentos está claro que nunca irão acontecer – explica.

A cadeia da tilápia é bem verticalizada no Brasil, gerando empregos e rendas, tais como a cadeia dos nativos (Foto: Luis Fernando/Secom-TO)

A Associação Norteparanaense argumenta ainda que da forma argumentada por ambientalistas, posições radicais e unidirecionais sobre quaisquer possibilidades devem ser evitadas e muito pelo contrário, o bom senso, a discussão científica e o trabalho multidisciplinar devem ser a base de qualquer crítica ou parecer. Ramos et al. (2008a) deixa claro este conceito em suas conclusões:

[…Desta forma, neste controverso contexto, estudos integrados e multidisciplinares na vertente limnológica (qualidade da água e suporte ambiental), ictiologia (fauna agregada), zootécnica e econômica são pertinentes, visto que podem elucidar se há impactos e danos desta atividade...].

A Anpaq questiona:

– Mesmo após 10 anos desta publicação, têm acontecido extinções em massa fundamentadas principalmente pela presença da Tilápia? Está claro que não. Se algumas espécies encontram-se em risco de extinção na atualidade com certeza é devido a diversos outros fatores (contaminação da água, construção de hidrelétricas, desastres naturais, etc.), sendo a presença da Tilápia no ambiente natural um dos menores problemas – argumenta.

Já neste quesito, a Aquamat recorre a um Engenheiro de Pesca (nome nas referências bibliográficas constantes na Nota da Associação) do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que em parecer técnico publicado em 2013 afirmou:

[A tilápia do Nilo e outras espécies tidas como exóticas, foram avaliadas pelo seu potencial de impacto enquadradas na categoria II, da portaria n°125/2009 – IAP …espécies utilizadas em sistemas de produção e com valor comercial, que podem ser criadas ou cultivadas em condições controladas sob regulamentação específica. Portanto estas espécies utilizadas em cultivo, pelo tempo e concentração de áreas de cultivo, se fossem invasores prejudiciais, já teriam gerado impactos negativos e isto está relacionado a alguns fatores, dentre as quais, destacam as decisões fundamentais congregadas por decisões políticas públicas e por estudos científicos relacionados à sua viabilidade econômica e experiência. Portanto, no Brasil, especificamente no Estado do Paraná e particularmente na bacia do Prata, não existem dados científicos sobre os impactos que estas espécies têm ocasionado à fauna local].

O Engenheiro afirmou ainda:

[Destaca-se ainda, que as espécies selvagens com relação a eventual redução da diversidade nos ecossistemas naturais, não estão relacionadas diretamente com a competição das espécies exóticas, mais por outras atividades físicas realizadas pela vida moderna e a interdependência crescente entre as pessoas, mormente nos grandes conglomerados urbanos, a exploração dos recursos naturais e os processos de agigantamento das atividades empresariais, agrícolas etc., a sempre crescente participação do Estado quer na economia, quer atuando com vistas ao atendimento das necessidades públicas, tudo isso, e outras, dezenas de fatores que poderiam ser enumerados concorrem para ampliação dos problemas ambientais nos corpos hídricos e suas espécies que são ameaçadas diariamente].

E continua:

[…é notório ressaltar que a cada dia que os ilustres pesquisadores não demonstram preocupação a essa real limitação quanto à preservação para espécies selvagens, sob o ponto de vista preservacionista, uma vez, que poucas são as espécies que apresentam viabilidade técnica e econômica em cultivos comerciais. Ainda, mesmo com a realização de instrumentos norteadores como a análise dos impactos ambientais, as pesquisas realizadas por estes e por outros, deveriam ser aprimoradas e revisadas, com o objetivo de que, ao final, todos saiam ganhando, uma vez que o Estado do Paraná tem sido exemplo na produção sustentável de peixes produzidos em cativeiro, inclusive com legislações próprias, que permitem nortear uma produção sustentável].

As duas notas são bem amplas de detalhadas. Para acessá-las clique nos links abaixo:

NOTA TÉCNICA ANPAQUI Fev_ 2018 Paracer tecnico 01 2018

Paracer tecnico 01 2018 (Aquamat)

 

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