domingo, abril 22, 2018

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ENTREVISTA – “Unido, Matopiba pode alavancar sua produção de pescado”, diz Dernival Oliveira

Publicado em 19/07/2017

ENTREVISTA – “Unido, Matopiba pode alavancar sua produção de pescado”, diz Dernival Oliveira

Entrevista: Antônio Oliveira

Produção de texto: Thuany Gonçalves*

Durante o congresso do II Piscishow e I Avisuleite, cujo foco era, respectivamente, a pesca e aquicultura;  a avicultura, suinocultura e laticínios, ambos da região do Matopiba, a revista Cerrado Rural Agronegócios esteve em um bate-papo com o presidente da Bahia Pesca, Dernival Oliveira Júnior. Ele representou o Governo da  Bahia junto aos eventos.

Nesta conversa, o Presidente evidenciou seu ponto de vista em relação ao potencial da pesca e aquicultura, sobretudo, na região do oeste da Bahia, que é  parte integrante do Matopiba, assim como, a exploração de seus recursos hídricos para o cultivo de peixes em tanques-redes.

Os estados que compõem  a região do Matopiba, unidos, conseguiram alavancar toda a produção de grãos e fibras, sendo os responsáveis por quase 15% da produção nacional de grãos. Com base nesta realidade, Dernival Oliveira diz acreditar que essa união podem também alavancar a produção de pescado na região de cerrados do Norte e Nordeste do Brasil.

A entrevista, concedida ao jornalista  e coordenador do Piscishow/Avisuleite, Antônio Oliveira:

Dernival Oliveira (direita), acompanhado pelo aquicultor e consultor no oeste da Bahia, Afonso Ferreira, no estande da revista Cerrado Rural (Foto: Antônio Oliveira)

Cerrado Rural Agronegócios (CRA)  – Presidente, qual o panorama que o senhor traça atualmente da piscicultura  no estado da Bahia, sobretudo, na nossa região,  o oeste da Bahia?

Dernival Oliveira – Primeiramente, gostaria de agradecer o convite ao governo do Estado, que demonstrou interesse em vir conhecer a realidade do Tocantins e,  também, por termos sido tão bem acolhidos. Segundo, é sempre bom conhecer outras realidades.  Então, nota-se que o Tocantins está crescendo, tem um grande potencial, e isso é muito importante. Ainda não está no seu estado final de produção.

Quanto ao oeste da Bahia, ele até me surpreendeu. Tive a felicidade de observar o que está sendo produzido por lá, então, para mim foi uma surpresa muito grande. Hoje, o Oeste é o segundo pólo de piscicultura do estado da Bahia;  tem pessoas abnegadas que nos ajudaram e continuam ajudando na piscicultura. às vezes, nós até ficamos triste em saber que, por exemplo, uma semente que foi plantada lá atrás, pode-se perder por falta de água, porque não estão aguando. Mas o Oeste tem um potencial muito grande. Encontramos vários parceiros na cidade de Luís Eduardo Magalhães e Barreiras. Recentemente, eu estava aqui conversando com uma pessoa que nos ajudou muito lá na piscicultura, dizendo que nós estamos em finalização de um convênio, no valor aproximado de R$ 1, 2 milhão, para colocar aquela unidade de beneficiamento de São Desidério em funcionamento, para a agregação de valores aos produtos da piscicultura na região. Então, vejo com bastante atenção, visto que, ali tem um potencial muito grande de crescimento, inclusive.

CRA – Presidente, o senhor falou em potencial do oeste da Bahia na aquicultura em relação a produção de peixe em cativeiro e realmente é um grande destaque essa produção no Oeste. Porém, ainda há gargalos. Faltam condições para o pessoal beneficiar o seu peixe, como por exemplo, a filetagem. Isso vem sendo prometido há muito tempo. Até quando eles vão conviver com essa carência? Que planos o Governo tem para sanar os problemas no oeste da Bahia?

Dernival Oliveira – Nós tentamos, ainda na época do Ministério da Pesca,  buscar os recursos que faltavam ser liberados para que a gente pudesse colocar a Unidade de Beneficiamento de Pescado de Luís Eduardo em funcionamento. Porém, o que foi que aconteceu? O convênio foi extinto, nós não tivemos a possibilidade de retirar esse dinheiro em virtude do momento que o País está atravessando. Mas, se não foi possível acontecer ainda em Luís Eduardo, será possível acontecer brevemente em Barreiras.

Inclusive, em Barreiras já existe uma unidade construída, que precisava ser reformada e equipada para que conseguisse o selo da certificação dessa unidade. Então, acredito que nesse próximo dia 20, quando  Governador (Rui Costa) estará lá, deverá anunciar a liberação desse recurso, para que a gente possa ter a unidade funcionando e certificada, para que possamos colocar esse produto no mercado nacional.

CRA – É possível usar os recursos hídricos do oeste da Bahia como os rios Corrente, São Francisco e Grande, para o cultivo de peixe em tanque-rede? Há a possibilidade de explorar mais esse potencial?

Dernival Oliveira – Claro. Até porque a realidade de Luís Eduardo e Barreiras é diferente da minha cidade de Paulo Afonso. Por exemplo, o Rio São Francisco, em Paulo Afonso,  tem uma condição diferenciada da realidade do Oeste.  Nós temos muito braço na região de Paulo Afonso, então é possível lá, colocarmos os tanques-redes. Não é o caso de Barreiras e Luís Eduardo. Algumas situações, em algum povoado, que eu consegui identificar que a gente tem condições de colocar um projeto de piscicultura.

Mas o que acontece? O potencial é muito grande e daqui há uns dias não estaremos mais falando em tanque escavado, mas sim em bioflocos, porque este vai substituir o tanque escavado. É muito mais barato;  a produção é maior e o ciclo é menor. Inclusive, a ração também tem um gasto menor. Então, estamos fazendo essa experiência na Bahia, temos trazido pesquisadores, para nos ajudar juntamente com os nossos pesquisadores a desenvolver esse projeto.

Nós estamos desenvolvendo um projeto que se chama “Peixe do Meu Quintal”. Meu sonho é colocar um tanque desse no semiárido – região onde não tem água – no fundo do quintal de um morador da área rural, para que ele possa ter segurança alimentar, utilizar o peixe para o próprio consumo e que, com a produção desse pescado ele possa ter uma renda de R$1.700,00 mensais. É uma renda totalmente diferente do que é produzido pela terra, pois o agricultor, até mesmo com duas tarefas na terra, não obtém essa renda. Portanto, estamos desenvolvendo esse projeto em parceria com alguns pesquisadores nacionais, assim como também, com o fornecedor desse material, que é um tanque lonado de 20 mil litros de água, praticamente parecido com o que vocês tem aqui hoje na exposição. Mas, estou achando que esse processo substituirá esse tanque escavado, cujo custo é muito maior.

CRA – A exemplo da produção de grãos e fibras na região do Matopiba – sul do Maranhão, Tocantins, sul do Piauí e oeste da Bahia – que se uniram e tem alavancado essa produção na região,  é possível, também, a união dessas quatro regiões para alavancar o todo da piscicultura  no Matopiba?

Dernival Oliveira – Não tenha dúvida. Hoje o maior gargalo da piscicultura é o preço da ração, porque para produzir  1kg de peixe, 70%  dos custos vão na ração. Por exemplo, em Luís Eduardo se produzem muitos grãos – o feijão, milho e soja – no entanto, não tem uma fábrica que produza ração para os peixes. Diante disso – isso é uma realidade – , e por isso, as grandes fábricas do Nordeste estão em Pernambuco e nós pagamos uma bitributação. E isso é uma realidade também daqui, pois no Tocantins agora é que estão sendo montadas duas fábricas e, acredito, que vão baratear o custo da ração e também o custo de produção do pescado.

CRA – Que experiência a Bahia Pesca está tendo com o CVTP que foi criado em Santo Amaro?

Uma das áreas de capacitação do complexo CVTP (Foto: Secom/BA)

Dernival Oliveira – Se trata do Centro Vocacional Tecnológico do Pescado, investimento de R$ 9 milhões do Governo Federal, por meio do Ministério de Ciências e Tecnologia e do Governo do Estado. É o centro de treinamento onde o piscicultor, o pescador artesanal, podem fazer a capacitação e formação. A Bahia agora será contemplada com 44 cursos de Pronatec. Nós vamos fazer o pós-médio, que é um curso de 19 meses. E o objetivo desses cursos é, na realidade, formar futuros piscicultores, construtores de embarcações, cursos de motorização, para já saírem habilitados, dentre outros. Então, o CVTP é o primeiro desses centros construídos no Brasil e a Bahia teve a felicidade de ganhar, onde a Bahia Pesca é quem está a frente. Além disso, esse Pronatec é uma revolução, visto que está sendo implantado pela primera vez, no País, o Pronatec da Pesca e Aquicultura e levando essa quantidade de cursos para vários territórios da Bahia.

CRA – O que a Bahia Pesca espera da Embrapa Pesca e Aquicultura, que está nesse contexto na região?

Dernival Oliveira – Para nós, a Embrapa tem uma grande importância, não só para o estado do Tocantins. Ela tem uma relevância de modo geral, para o Brasil. Recentemente, recebemos pesquisadores em Paulo Afonso, daqui do Tocantins, fazendo o diagnóstico do potencial da tilápia e da piscicultura com relação a produção. Acredito que individualmente, Glória, na Bahia, deverá chegar agora a um resultado que é a cidade que mais produz tilápia. Então é a realização de um esforço que nós começamos há mais de 20 anos.

*É estagiária da revista Cerrado Rural Agronegócios

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