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DA SERÍE PEIXES BRASILEIROS – Apapá branco, o sardinhão d’água-doce

Publicado em 25/06/2017

DA SERÍE PEIXES BRASILEIROS – Apapá branco, o sardinhão  d’água-doce

O “sardinhão” é um dos peixes amazônicos que podem ser explorados comercialmente (Foto: do site http://isabelpellizzer.com.br)

Por Roberto Sahium*

Os bicharedos da geografia, acolá da capital dos livreiros, aqueles que gostam de fazer livros pra venderem pro governo federal e estadual, minutam que o Brasil tem doze grandes bacias hidrográficas. Sete destas bacias têm o nome de seus rios principais: Amazonas, Tocantins, Paraná, São Francisco, Parnaíba, Paraguai e Uruguai; e as outras são agrupamentos de vários rios, não tendo um rio principal como eixo e,  por isso,  são chamadas de bacias agrupadas, juntando as águas das chuvas. Dessas bacias, a do Tocantins e da Amazônia não foram despraquejadas pela tilápia.

O Rio Tocantins,  só para ciência daqueles que não folharam os livros dos bicharedos, tem seu inicio na junção dos rios Maranhão e Paranã.

É um mundaréu de água, qualidade que não poderia ser diferente, a não ser o mundaréu de espécies de peixes existentes. É tanto peixe que dá coceira de inveja ao mundo todo, são mais de 200 espécies no jequi com importância social, econômica e ambiental para o Brasil, pretexto de olhos gordos e rechonchudos dos peçonhentos Aracnídeos Gigantes, inimigos do Boitatá, Curupira e até o Saci-perere. Vivem aceirando nossas águas para trazer as dez pragas do Nilo e definhar o nosso mundaréu de peixes.

Presentemente neste proseiro recalquei as ideias mansas e esforcei-me por trazer o Apapá Branco, que além de ser um importante peixe nativo, com predicados de sobra para amparar a diversificação da cadeia aquicola amazônica, criatura, excelente para entrar de cabeça na indústria sardinheira brasileira, que tem no seu ambiente natural um estoque comprometidamente baixo.

E as sardinhas não pararam por aí, descrevem outros promotores que desbancaram o caviar, deveras e bem consumido no  governo passado, ganharam lugar cativo e acabou sendo incorporada como item da cesta básica brasileira. Migraram da classe D e alojou-se na nobre e cobiçada classe C, que paga a conta da riqueza e da pobreza deste pais.

Quanto aos sardinheiros, dizendo eles: “Levamos 50 anos para consolidar a cadeia produtiva da sardinha”. Diga-se, da porteira pra fora.

Com olhar caolho das autoridades, os sardinheiros, pescaram quase todas as sardinhas da costa brasileira, venderam por preços ordinários, não fizeram manejo do estoque natural, perderam as mudas. Aí tem que recorrer à velha chave inglesa, pedir autorização para importar o peixe congelado, com alíquota abaixo do porão dos barcos pesqueiros, de 2%.

O principal comprovador para toda esta boa vontade do governo a favor da importação de sardinhas e justificado pela perda de muitos empregos na indústria de sardinha nas regiões Sudeste e Sul do País

Que indigência pai d’égua e insustentável.

Só no nosso quintal, nas águas do Tocantins, dono de mais de duas dúzias de espécies de peixes com aptidão para fazer sardinhas, a montante com a faculdade de substituírem espécies em oração, e gerar mais milhares de empregos, possibilitar uma movimentação financeira que poderá chegar próxima ao PIB atual do Tocantins. Sem, contudo esquecer, que daqui pode sair as toneladas de sardinhas para manter os empregos lá no Sul, não só as ditas sardinhas-de-água-doce, mas peixes para todos os gostos e bolsos, com túnel para o futuro acessível para auferir empreendedores de todos os cantos e recantos do planeta, que queiram produzir e industrializar os peixes nativos.

Todavia alguns indolentes querem trazer a tilapia. A praga Nilo. Esperamos que neste pacote de bondade não transformem as águas do Rio Tocantins em sangue ou promovam o ataque de rãs, moscas, bem como não agenciar o surgimento de nuvens de gafanhotos.

Tive, o cuidado de procurar afinar minha a minha sintaxe pelo texto, e como forma de entusiasmar este episódio, apresento de fato o Apapá-branco, peixe da família Pristigasteridae e batizado nas nossas águas de Pellona flavipinnis. Alguns estudiosos a classificam como que pertencente a família Clupeidae.

Características do Apapá-branco.

Pela população ribeirinha recebe o nome de Apapá-branco, sardinhão-branco, sardinha e tubarana.

Corpo alongado, comprimido lateralmente, pode chegar a 50 cm, coberto de escamas que lhe dão coloração peculiar, prateada no tronco e na cor escurecida ao redor da boca. Boca pequena voltada para cima e em placas, que em muito dificultam as ferradas.

Ecologia do Apapá-branco

Ocorrência: encontrado nas bacias dos rios Araguaia – Tocantins e Amazonas.

Habitat: espécies de água doce são peixes pelágicos (superfície e meia água), ocorrendo em rios, lagos e matas inundadas.

Hábitos: pequenos cardumes de Apapá são comuns em corredeiras. Gosta de ficar na espreita de pequenos peixes na superfície da água, durante as horas crepusculares.

Alimentação: carnívoros, consome pequenos peixes e insetos. Treinados podem comer rações de carnívoros.

Reprodução: fecundação externa, desova total no inicio da enchente. Em igarapés ou margens inundadas pode fazer desova parcelada.

Acredito que aceita hipofização (inseminação artificial) sem dificuldade.

Status de conservação: não ameaçado

Importância: principalmente para as indústrias de sardinhas.

Dicas de pesca: pescar o ano todo em locais com corredeiras, locais de barranco alto ou em curvas de rio onde a turbulência da água forma rebojos.

Iscas: o Apapá branco atacam iscas artificiais e naturais. São ariscas e dão saltos acrobáticos.

*É Engenheiro Agrônomo, Extensionista do Ruraltins, Imortal da Academia de Letras da Extensão Rural Brasileira, encontra-se secretário de Desenvolvimento Rural de Palmas e é colunista da revista Cerrado Rural Agronegócios – site e impresso. 


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