sexta, maio 11, 2018

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Artigos Técnicos

OPINIÃO/DARCI CARLOS FORNARI: Um novo tempo na piscicultura no Mato Grosso

Publicado em 19/01/2018

OPINIÃO/DARCI CARLOS FORNARI: Um novo tempo na piscicultura no Mato Grosso

A piscicultura, no cenário do agronegócio, ainda é embrionária. Contudo, temos, em Mato Grosso, o maior potencial e vocação do Brasil e talvez do mundo, com clima e volume de produção de grãos. Destacam-se, ainda, que os peixes são os animais mais eficientes na conversão de proteína vegetal em proteína animal.

Com esse potencial, a piscicultura deverá contribuir de forma extraordinária na balança comercial do agronegócio mato-grossense. Efetivamente, o respaldo da Lei, para o licenciamento simplificado, garante o desenvolvimento da cadeia produtiva do pescado, pois a sustentabilidade da produção de peixes é intrínseca à atividade.

A contribuição da piscicultura ao meio ambiente é grande: diminuímos a pressão da pesca extrativista, ofertando uma proteína de qualidade. Imagina só: se não tivéssemos a piscicultura, certamente, hoje, não haveriam mais pescados nos rios mato-grossenses!

São quase 40 mil toneladas/ano de consumo de pescado. Desse total, mais de 90% vêm da piscicultura. Por isso precisamos de leis que permitam aos piscicultores trabalharem de forma legalizada.

Historicamente, desde que o Mato Grosso inseriu a aquicultura na sua matriz produtiva de alimentos, os híbridos e os exóticos, principalmente a tilápia e a carpa, se fazem presentes; a maioria dos estados do Brasil cultiva tilápia e carpa há mais de 30 anos. Esta história de impacto aos peixes nativos nos rios são suposições. Não existe chance de uma espécie domesticada e adaptada a comer ração sobreviver em rios cheios de jacarés, piranhas, grandes bagres, pássaros predadores, ariranhas, entre outros animais predadores e ao homem pescador.

Alicerçando essa informação, a tilápia é produzida em mais de 100 países. O Paraguai, por exemplo, que possui grande parte dos rios tributários do Pantanal está produzindo tilápia há mais de 30 anos e na última década vem dobrando a produção a cada ano e nunca houve registro de tilápia em seus  rios.

O fato é que peixes nativos ainda não são viáveis em cultivo, principalmente em tanques-rede. Um exemplo que temos é que existem centenas de espécies de aves no Brasil e produzimos uma ave exótica, que é o frango, pois o pacote tecnológico dele, como melhoramento genético, nutrição e sanidade, garantem a viabilidade econômica desta espécie, que já tinha vocação para produção em larga escala.

Assim, estamos com os peixes. Para a tilápia e os híbridos já se desenvolveram pacotes tecnológicos e precisamos produzir cada vez mais para atender a demanda mundial de proteína com qualidade. É uma tremenda responsabilidade, pois daqui há 12 anos seremos quase 9 bilhões de habitantes no planeta.

Sou coordenador de um projeto de melhoramento genético de peixes nativos em Mato Grosso e a nossa perspectiva é que daqui há 20 anos teremos peixes nativos bem adaptados em tanques-rede – se tudo correr como planejado.

Banner atualOutro fato que precisa ser destacado são os ambientes de produção de peixes, principalmente os exóticos: os grandes reservatórios de água, principalmente. São ambientes antropizados (e não foram os aquicultores os responsáveis por isto, muito menos a tilápia), onde não existem mais peixes nativos, a não ser piranhas e traíras. Nessas águas podem-se produzir exóticos em tanques-rede de forma eficiente, gerando inúmeros empregos para pescadores e sua família que hoje têm sofrido com a falta dos peixes nos rios. Além disso, existe uma bolha de pobreza em regiões menos desenvolvidas e a piscicultura em tanques-rede, principalmente com a tilápia, será a principal alternativa aos pequenos produtores.

Hoje, com o baixo investimento e agora com o respaldo da Lei, os pequenos produtores terão acesso a crédito e com a tilápia que cresce rápido, com ciclo de 4 meses em tanques-rede, o pequeno produtor terá a viabilidade econômica e alto fluxo financeiro. Ou seja, a cada 4 meses já se tem retorno do custeio, enquanto que para peixes nativos o tempo de cultivo em tanques-rede ultrapassa um ano, inviabilizando a atividade.

Com o respaldo das Leis para o cultivo de peixes,  indiferente de ser nativo, exótico ou híbrido,  estamos certos de que o agronegócio ganhará, assim como toda população do Mato Grosso, pela geração de empregos diretos e indiretos; na agregação de valor pela transformação dos grãos (soja e milho) em peixes; na oferta de peixes com qualidade,  evitando a pressão da pesca extrativista e na oportunidade aos pequenos produtores em cultivar uma espécie domesticada e com retorno econômico garantido, como é o caso da tilapicultura em tanques.

(Foto: Álbum de família)

(Foto: Álbum de família)

*É Zootecnista, Doutor em Piscicultura, Diretor técnica da Associação de Aquicultura de Mato Grosso, produtor de peixes nativos, coordenador do programa de melhoramento do peixe nativo e produtor de alevinos de peixes nativos e híbridos, em Cuibá.

** Artigo exclusivo para a Cerrado Rural Agronegócios e Piscishow/Avisuleite

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