terça, fevereiro 06, 2018

PIRARARA – Brabo nos rios, mansinho no cativeiro. E é um bom negócio. – Piscishow&Avisuleite PIRARARA – Brabo nos rios, mansinho no cativeiro. E é um bom negócio. – Piscishow&Avisuleite

Piscicultura

PIRARARA – Brabo nos rios, mansinho no cativeiro. E é um bom negócio.

Publicado em 16/01/2018

PIRARARA – Brabo nos rios, mansinho no cativeiro. E é um bom negócio.

*Por Antônio Oliveira

Nos grupos de piscicultura – e olha que estou em meia dúzia deles – vez por outra a pirarara (Phractocephalus hemioliopterus) rouba as cenas e os cenários dos peixes mais cultivados no Brasil: a tilápia, o tambaqui, o pirarucu, entre outras espécies. É um peixe pouco comum em cativeiros – tanques redes, escavados ou bags (tanques elevados). Mas que o bicho é bonito, isto é. Tão bonito quanto a arara vermelha. Aliás, pirarara, do Tupi-Guarani, é uma referência a esse belo pássaro amazônico.

Curioso e no intuito de informar, mostrar opções para a aquicultura na região do MATOPIBA, fui pesquisar na popular “enciclopédia” Google sobre este peixe. Esta matéria inicia uma série de outras sobre cultivo de peixes nativos de diversas regiões do Brasil. Há espaço para todos, claro com produção sustentável.

Originário das bacias amazônicas, principalmente dos rios Tocantins e Araguaia, a pirarara não se dá muito bem com o frio. Porém, até que tolera as temperaturas baixas da região Sudeste, desde que o manejo dela não seja em dias de inverno rigoroso. Não a leve para o Sul. Lá é muito frio para ela.

A espécie, que pode chegar a 60 quilos e a 1,5 metro, não é muito adequada para a culinária, pois sua carne é de sabor forte e muito gordurosa. Por ser valente, boa de briga com pescadores – não se deixa ser vencida fácil -, e muito bonita, ela é recomendada para pesqueiros e aquarismo. E se paga muito bem por ela. Um exemplar da espécie pesando 5 quilos e mais ou menos 18 meses de vida, chega a custar, para pesqueiros, R$ 100 o quilo e para ornamentação – que tem mais saída – cada unidade, com média de 25cm, tem este mesmo valor.

Se em águas correntes, o bicho é brabo que só touro amarrado pelas virilhas, em cativeiro, incluindo o manejo geral é “pianinho, pianinho” – um pet. Dizem que ele chega até a comer ração nas mãos de seu tratador. Mas recomenda-se que a reprodução induzida seja feita por profissionais experientes.

De hábitos noturnos e onívoro, comendo tudo que encontra no fundo dos rios, quando em seu habitat natural, não deve dividir espaço com peixes menores, pois estes podem virar alimentos para a “arara vermelha” dos rios amazônicos. (Viu, dona Tilápia: papagaio come milho e periquito leva fama – e vice e versa).

Bonito, é muio usado em ornamentação (aquarismo) (Foto: Divulgação)

Bonito, é muito usado em ornamentação (aquarismo) (Foto: Divulgação)

Como criar em cativeiros

Para iniciar uma produção, os tanques escavados com fundo de terra são ideais para o cultivo até 15 centímetros de comprimento, para logo após serem transferidos para tanques de alvenaria ou revestids com geomembrana. Recomenda-se, em casos de pequenas áreas, onde há pouco espaço para a construção de viveiros, criar a pirarara em tanques elevados com sistema de recicurlação de água.

É preciso muito cuidado quando a espécie estiver nas fases de larva e alevino. É o período muito delicado e outra que, como já nasce com a boca grande, o canibalismo ode ser muito grande, o que exige fornecimento de alimento natural e limpeza do local de hora em hora, dia e noite.

A recomendação é que a alimentação durante os primeiros dias de vida seja natural (zooplâncton). A alimentação deve ser mudada para dietas úmidas à base de carne e ração comercial.

O fato de ser um peixe que gosta do fundo de rios, a pirara é de fácil adaptação aos manejos em cativeiro, como alimentar-se de ração extrusada boiando. Contudo, ele não dispensa peixes menores vivos, resíduos frescos de filetagem, combinados com rações convencionais. Esta dieta ajuda a manter a nadadeira caudal com a cor vermelha mais intensa.

Reprodução

Por ser induzida por meio de extrado de hipófise, da mesma forma que o processo usado para outros peixes tropicais reofílicos (que realizam a piracema), ela deve ser feita por um profissional com experiência.

Criadores mais experientes dizem que não é difícil obter bons resultados nos procedimentos de extrusão de óvulos e do sêmen. A desova de uma única fêmea é o suficiente para conseguir uma grande produção de larvas.

*Com informações dos sites  Globo Rural, Unesp e CPT.

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